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Marina Schaun divulga carta e dá detalhes de agressão sofrida por Emílio Vasconcel

 A Polícia Civil de Sete Lagoas está às voltas com uma investigação envolvendo Emílio Vasconcelos Costa, ex-candidato a prefeito da cidade, e sua mulher, Marina Schaun. O casal teria brigado em 12 de junho, Dia dos Namorados, e desde então trocam acusações de agressões e mentiras.

A briga teria acontecido no apartamento do casal, num condomínio em área nobre de Sete Lagoas. Na noite do suposto atrito, Emílio, que é ex-presidente do Democrata, time que já disputou a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro, saiu de casa.

Marina diz que, após a agressão, entrou com pedido de divórcio de Emílio. Ela registrou queixa na polícia no dia 15, e fez exame de corpo de delito. Em fotos, ela mostra marcas e machucados em quase todo o corpo.

 Como consequência da briga, Emílio retirou a sua candidatura a prefeito da cidade e afirma que vai provar que é inocente. Ele diz que não agrediu a mulher.

A Justiça sete-lagoana deve se manifestar sobre o caso na próxima semana.

Por meio de uma carta aberta, Marina relatou sua versão sobre o fato. O Estado de Minas publica a seguir, na íntegra:

A dor

Dói! Dói muito! Dói no corpo, mas principalmente dói na alma! Que momento sofrido!

Todo casal briga, se desentende. São pessoas diferentes que decidem se unir e construir uma vida em comum. No meu caso, tudo começou com gentilezas, ele dizendo me acompanhar nas redes sociais, onde passei a ser o “FOCO” dele.

 Se aproximou cheio de mimos. Me chamava de Moça Bonita! Dizia que eu era uma pintura! E muitas vezes comentava que ele não acreditava estar se relacionando comigo. Assim ele me conquistou!

Sim, eu me apaixonei! Admirava sua inteligência, adjetivo que mais me chama atenção em qualquer pessoa. E essa admiração, esse Amor, foi brutalmente destruído no dia 12 de junho de 2020.

Seria nosso quarto Dia dos Namorados. Nas duas semanas anteriores à data citada, tivemos um desentendimento, cujo motivo foi uma Campanha do Agasalho, planejada por mim, onde coordenava a logística de arrecadação e distribuição.

A campanha cresceu e tomou uma proporção enorme. Com muita visibilidade nas redes sociais, várias pessoas querendo participar, meu telefone não parava. E ele demonstrou que não concordava que eu, como sua companheira, me destacasse de alguma forma, descontentamento que foi aumentando por meu nome ter ficado em evidência. Me chamou de vaidosa, egocêntrica e disse que ia abrir mão da pré-candidatura dele para prefeito de nossa cidade, e que eu é que seria a candidata.

Porque além da exasperada agressão física, a violência psicológica havia se tornado algo constante ao me subjugar e não aceitar que me posicionasse em qualquer situação que fosse.

Seria o nosso quarto Dia dos Namorados, comprei um presente e imaginei que faríamos as pazes. Era o que eu esperava. Mas, quando cheguei do trabalho, ele se manteve frio como sempre. Aliás, uma característica que sempre me deixava perplexa, mas que ele dizia ser sua maior qualidade.

Tomei banho e fui deitar na suíte do apartamento, pois continuávamos desde o desentendimento dormindo em quartos separados. Ele vestiu um casaco de frio e saiu, retornando meia hora depois, com a filha mais nova.

Atitude um tanto quanto insensata, já que a adolescente não escondia de ninguém que não nutria a menor empatia por mim, mesmo eu tendo tentado no início do relacionamento manter um ambiente agradável entre nós.

Após uns 40 minutos, fui até a cozinha fazer um lanche e logo ele também entrou. Não trocamos uma palavra. Quando fui para meu quarto novamente, vi que meus travesseiros não estavam na cama. Durmo com três travesseiros e uma almofada, devido a problemas respiratórios.

Adentrei então, ao quarto onde ele dormia e perguntei se havia pegado os travesseiros. Ele não respondeu. Foi quando percebi que ele estava dormindo, ressonando. Até fiquei surpresa com a rapidez que pegou no sono.

Um dos travesseiros não estava sendo utilizado por ele. Fui pegar esse travesseiro e, neste momento, após um susto terrível, por motivos insignificantes diante da gravidade do fato, como ele mesmo relatou em seu depoimento, perdeu a cabeça e já levantou da cama onde dormia, agarrando meu pescoço com força, me fazendo perder o ar.

Tentei me defender, me debater, sem sucesso. Ele tem o dobro do meu tamanho e quase 30kg a mais. Pedia para parar, e então ele apertava ainda mais. Eu rodava minha cabeça, tentando me desvencilhar, mas todo esforço em vão.

Ele soltou meu pescoço e agarrou minha cabeça como se fosse uma bola e começou a me sacudir. Arrancou meus brincos na truculência, quase rasgando um dos furos da minha orelha.

Eu implorava pra ele parar, e com o pé ele me chutou na coxa direita, me empurrando em direção à parede da frente, onde havia uma prateleira com alguns enfeites. Bati as costas na prateleira, machuquei as costas e o cotovelo, caí e quando tentei me levantar, eu continuava pedindo para ele parar porque estava me machucando.

Ele novamente agarrou o meu pescoço, apertando cada vez mais. E eu tentando empurrar, sair, quando ele me deu um solavanco e me empurrou sobre a cama. Nesse momento ele subiu em cima de mim e agarrou meu pescoço novamente, utilizando o peso de seu corpo, dessa vez me esganando com mais força. Nesse momento, achei que ele realmente fosse me matar, falava que ele iria me matar porque eu já estava sem forças pra tentar reagir.

Eu, já desesperada implorando pra ele parar e ele só apertava mais forte e perdi a voz. E eu, mesmo fraca e cansada, tentava de todas as formas me defender, o que causou uma luta corporal desde o início, causando lesões e arranhões em meu rosto, pescoço, ombro, maxilar, coxa e testa.

Quando ele viu que realmente eu estava perdendo o ar e ficando mole, me soltou e deu um passo para trás. Como se voltasse a si. Eu também me levantei desesperada procurando ar. Nesse momento, ele me deu outro solavanco e caí novamente na cama, momento que ele saiu correndo em direção ao quarto da filha e fechou a porta.

Escutei ele pedindo que ela juntasse as coisas dela para saírem dali, porque senão ele acabaria me matando. Senti algo ardendo muito em meu rosto e fui ao banheiro me olhar no espelho. Me assustei porque estava toda vermelha, com vários vergões e marcas de aperto em todo pescoço, rosto, testa, ombro, perna e costas. Meu rosto muito vermelho e com vários vergões.

Escutei passos no corredor e fiquei amedrontada e ouvi ele dizer que sairia com a filha. Fui para o meu quarto e tranquei a porta. Fiquei estática, anestesiada, sem entender direito o que havia acontecido. Fiquei calada.

Escutei ele conversando com alguém, informando que um dos filhos já havia buscado a menina e que estava tudo sob controle. Tive um impulso e resolvi que ia chamar a polícia e denunciar. Falei com ele que ele havia me machucado e que iria denunciá-lo. Foi quando ele começou a me coagir de várias formas; dizia: “chame a polícia! Quer que eu disque pra você? Bom que vai ser você me expondo de um lado e eu lhe expondo do outro!

Dizendo que eu ia expor minha mãe, que já é idosa e me diminuindo, questionando estupidamente “quem era eu?”Descrevendo-se como um homem público, conhecido, influente, visto como sério e correto. E que ainda era pertencente a uma família tradicional da cidade.

E estufando o peito para dizer “que possuía tal sobrenome, sobrenome esse, que o tornava diferenciado. E que possuir esse sobrenome não era pra qualquer um”.

Eu me senti acuada e sem saber o que fazer. E com medo continuei no quarto. Por onde fiquei trancada até segunda-feira, fazendo compressas e usando pomadas, para que as feridas e hematomas melhorassem rápido. No sábado, acordei já cheia de hematomas e casquinhas nos machucados. Domingo à noite os locais lesionados estavam muito escuros, com um tom preto arroxeado.

Na segunda, por volta das 180h, minha irmã e meu cunhado, que moram no mesmo condomínio, tomaram conhecimento do que ocorreu e foram até o apartamento, encontrando-me toda machucada. Desde o acontecido, quando fui coagida, não queria que minha mãe me visse daquele jeito. Não queria que a minha família me visse naquela situação. Eu tenho um filho. Eu estava muito machucada.

Meu cunhado e minha irmã ficaram perplexos ao me ver, me questionaram porque não os chamei antes e que não iriam permitir que eu ficasse calada.

Chamaram um chaveiro que trocou as fechaduras das portas e no dia seguinte, cedo, me acompanharam até a Delegacia da Mulher, onde fiz a denúncia, narrei os fatos, levei provas, todas as fotos que eu mesma havia tirado, coloquei meu telefone à disposição e passei pelo exame de Corpo de Delito.

A partir daí, ele começou a procurar os meios de comunicação da cidade, para relatar o caso, conforme sua versão. Tentando me denegrir e arrumar uma justificativa para o que é injustificável.

Após a manifestação dele, apareceram questionamentos sobre a veracidade dos fatos e isso vem sendo impulsionado por ele e pessoas de seu convívio em todos os tipos de mídia, tentando a todo custo fazer as pessoas acreditarem que forjei tudo, que é tudo mentira da minha parte e que me automutilei para prejudicá-lo na campanha a prefeito da cidade. Que eu sou louca e que ele “irá provar a verdade”.

Um cara com quem eu dividia a minha vida e onde o sucesso de um, automaticamente, seria o sucesso do outro. Pois vivíamos a mesma vida, a mesma realidade.

Eu não tinha motivos para querer prejudicá-lo, eu era companheira dele, sua esposa e foi por isso que nos casamos. Casamento este que me obrigou a afastar de muitos amigos, pela falta de empatia que sentiam pela pessoa dele.

Perdi um emprego por vinganças políticas, mas nunca deixei de apoiá-lo. Esse é meu maior sofrimento. Nunca esperava por isso, nunca imaginei que ele fosse capaz de cometer esse crime de extrema covardia.

Estou decepcionada, humilhada, angustiada e machucada no corpo e na alma! Sentimento de uma mulher que foi espancada por seu marido, com quem dividia a vida e lhe disponibilizava apoio incondicional.

Um cara que conhece minha família e que me tirou de dentro de minha casa, onde fui criada com muito amor, carinho e toda a dedicação dos meus pais. As pessoas julgam sem entender que a adrenalina, a fragilidade, susto e principalmente o medo tomam conta da pessoa que sofre uma agressão dessa natureza e gravidade.

Em meu caso, além de coagida, atordoada com tudo, cheguei a acreditar no que ele, com muita ênfase, dizia: “que eu iria expor ele de um lado e ele iria me expor de outro, que por ser de família tradicional na cidade, nada aconteceria a ele. Agora, está fazendo de um tudo, para inverter a situação e me colocar como a culpada. Só quem passa por isso sabe do que estou falando e o tamanho do sofrimento e angústia que nos assolam.

Tenho personalidade forte, tenho meus erros e defeitos como qualquer ser humano, mas nada que justifique qualquer tipo de violência. O fato de eu não ser submissa veio causando incômodo ao longo do tempo.

E depois de tudo isso, tudo que aqui narrei e passei me deparo com uma nota publicada em um jornal da cidade, com um conteúdo que foi distribuído em todas as mídias sociais INTITULADA POR ELE COMO: “A Verdade”! Enfatizando o sofrimento dos filhos, irmãos, sobrinhos e toda família! E que inocentes como ele não mereciam passar por isso.

Como se a minha família não estivesse sofrendo junto comigo, arrasada e eu me sentindo humilhada e desvalorizada da pior forma possível. Enfim, esse é o meu desabafo e essa sim é “A VERDADE” sobre todo o fato ocorrido.

Isso serve como combustível para uma consciência tranquila e coragem para continuar e aguardar que a Justiça seja feita. Porque confio que assim será. E dói! Dói muito passar por isso, onde o agressor era o homem que eu amava, que acreditava e fazia planos para ficar junto até o último minuto da vida! Amava muito! Mas que em segundos se transformou em um monstro que agradeço a Deus todos os dias por não ter conseguido dar fim à minha vida.

Por meio de postagem no Facebook, Emílio Vasconcelos Costa apresentou a versão dele, publicada a seguir, na íntegra:

A verdade

Sou inocente. Nada fiz do que estou sendo acusado. Não fiz, jamais faria e jamais farei. Sou um homem pacífico, apologista e praticante da não violência. Seja ela contra mulheres, crianças, idosos, especiais e dependentes. Enfim contra seres humanos e animais. Seja ela física, psicológica, racial, social e econômica ou de gênero.

Tenho sido assim por toda a minha vida e vou continuar sendo. Sei quem sou. Os que verdadeiramente me conhecem também o sabem. As manifestações dessas e desses, que já são milhares, são o que há de mais gratificante e até emocionante nesse momento. Meu muito obrigado.

Já o que me entristece é presenciar o sofrimento e indignação de minhas filhas, filhos, irmãos, sobrinhos, família. Também o desses amigos. Essas e esses são inocentes como eu. Não merecem estar passando por tudo isso. Como eu também não mereço.

Em termos práticos suspendo, temporariamente, neste momento, minha pré-candidatura a prefeito de minha cidade. O que me importa, agora, é provar minha inocência. Tenho e já apresentei algumas robustas e consistentes provas no inquérito policial que respondo.

Outras vou apresentar nas representações que patrocino hoje contra quem me acusa. Denunciação Caluniosa, Injúria Racial e Lesão Corporal. Também no processo de Divórcio Litigioso que apresento nesta data.

Quero e confio recuperar meu apartamento. Lar que nunca deveria ter deixado de ser o dos meus filhos. Por fim, sigo resiliente e com a cabeça erguida. Confio na verdade e na justiça. Com a indignação de quem é inocente. Que Deus nos guie e que a verdade seja restabelecida.

Fonte. em.com.br

 

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Alvaro Vilaça

Alvaro Vilaça

Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

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SILVA JUNIOR

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Silva Júnior - Jornalista, radialista, colunista e setorista do futebol sete-lagoano, assina ainda o programa Eldorado nos Esportes na Rádio Eldorado AM 1300

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Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

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