Pets

Treinados, cães auxiliam no tratamento de transtornos psicológicos

No Brasil, cães das raças golden retriver e labrador são comumente selecionados para trabalhar no auxílio de problemas psicológicos (Foto: reprodução)

Psicólogo e especialista em comportamento animal explica o treinamento de cães de assistência

A depressão e a ansiedade são os transtornos psicológicos que mais acometem pessoas no mundo, o que levantou grande preocupação de centros de saúde com o desenvolvimento da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus, responsável pela Covid-19. Com a população tendo que se manter dentro de suas casas, muito se é debatido no quão pode ser benéfica a companhia de animais na tratativa desses problemas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até o ano em que nos encontramos (2020), a depressão já seria a doença mais incapacitante do mundo, que, correlacionada à porcentagem de 2017 sobre  transtorno de ansiedade, referente a cerca de 3,6% da população, declaram um alerta sobre a saúde mental de todos. No entanto, tais pesquisas não contavam com o cenário atual.

Dentro das possibilidades ofertadas pelo contato com os animais de companhia, a busca e o treinamento de cães de apoio emocional têm crescido exponencialmente, possibilidade defendida pelo psicólogo especializado em comportamento e nas relações humano/animal e treinador de cães de assistência, Oliveiros Barone Castro.

De acordo com o profissional, os animais de companhia possuem um papel muito simbólico dentro da sociedade, principalmente no que tange às construções familiares, onde são projetadas as necessidades efetivas dos tutores. “Cada pessoa de uma família, por exemplo, coloca estes animais em um lugar simbólico. O cão já entra nesse círculo para cumprir um papel emocional e específico para cada indivíduo”, explicou.

Sendo assim, ao se analisar o contexto psicológico, simbólico e afetivo, as relações que se estabelecem entre o humano e animal podem proporcionar um estado de conforto, explicado da seguinte maneira pelo especialista: “Como os animais não possuem a questão do julgamento, o pet aceitará a pessoa exatamente como é, o que gera um preenchimento, atrelado à presença animal, que contribuirá ao equilíbrio emocional do indivíduo neste momento de afastamento social”, contou.

Isso corrobora com estudos científicos, responsáveis por comprovar que a simples aproximação de uma animal ao ser humano estimula a produção de hormônios do bem-estar. O que, segundo Castro, possibilita reações orgânicas e químicas dentro deste contexto da relação entre as partes. Contudo, para que haja real melhora nos quadros, os cães devem ser devidamente treinados. “Nestes casos, os cães de assistência são treinados para agir exatamente no momento que percebem alguns comportamentos pontuais dessa pessoa dentro dos contextos psicológicos”, afirmou Castro.

Ainda segundo ele, a aproximação do cão, dentro de um contexto de treinamento, faz com que o paciente sinta uma segurança maior dentro do episódio. “Só do cão estar dentro do abraço desta pessoa, questões químicas acontecem no sentido positivo, desde a questão cerebral, dos níveis de ondas cerebrais, até o batimento cardíaco, que tendem a se igualar entre o humano e o cão”, contou.

Contudo, a seleção e o treinamento destes animais seguem alguns padrões muito específicos, já que lidarão com problemas extremamente pessoais de seus tutores.

“Existe uma seleção genética que deve ser feita e demora muito tempo, então, estamos falando de tataravós e de bisavós selecionados dentro do que chamamos na área da seleção de pressão genética, não só morfológica (questões corpóreas), mas, também, pensando no comportamento, o que normalmente não tem direcionamento de criadores”, explicou o especialista.

Este cuidado deve ocorrer, pois, nessa ocupação em que o cão será exposto, existe a preocupação em se criar uma linhagem de animais que realizarão a atividade específica. Sendo assim, eles precisam ser selecionados na ninhada, assim que nascem ou por meio de testes neurológicos e comportamentais.

Mas e o pets? Ao longo de todo o período de quarentena em território nacional, muitos abrigos e ONG’s têm notado um aumento na procura por animais de companhia.

Para Castro, o aumento nas adoções deste período é para preencher um lugar de ausência de quem oferta a afetividade. “Essa questão do afeto, em relação ao comportamento humano, é muito importante, pois o mesmo se sente preenchido por meio da presença de um animal quando ele não tem uma relação estabelecida ou, ao menos, direcionada, com outro igual”.

De acordo com as diretrizes da ONG Patas Therapeutas, contar com a companhia de um animal proporciona, independente de qual seja sua espécie, inúmeros benefícios emocionais e fisiológicos. É possível notar melhora na retomada da autoconfiança, na receptividade, no vínculo com terceiros, na comunicação e socialização e muitos outros.

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Gleidson Almeida

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Alvaro Vilaça

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Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

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SILVA JUNIOR

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Silva Júnior - Jornalista, radialista, colunista e setorista do futebol sete-lagoano, assina ainda o programa Eldorado nos Esportes na Rádio Eldorado AM 1300

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Arnaldo Martins

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Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

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