Em menos de três horas, a regional recebeu um volume de 183,4 mm, o que representa 56% do volume total esperado em toda a metrópole para janeiro, que é 329,1 mm.

O meteorologia Cleber Souza, do Inmet, explica que, desde o início dos registros que compõem a série histórica de chuvas na capital, ainda em 1910, nunca havia sido contabilizada tanta precipitação. “Esse é o mês mais chuvoso de todos da série história de BH”, pontua.

Antes disso, o último grande registro de acumulado foi também em um janeiro, de 1985, com 850 mm. A diferença entre os temporais da última semana, quando as chuvas constantes por mais de 24 horas contribuíram para causar deslizamentos de terra e desabamentos, e o dessa terça na região Centro-Sul, é que o primeiro foi oriundo da chamada  Zona de Convergência do Atlântico Sul (Zacs).

Trata-se de um sistema  meteorológico que transporta umidade da Amazônia até o Oceano Atlântico, próximo à costa da região Sudeste do país. O fenômeno funciona a partir da variação de pressões: de forma simplificada, a água amazônica é atraída até o litoral e, nesse caminho, ao passar pela zona de convergência da frente fria, precipita-se, causando temporais.

A última tempestade é uma área de instabilidade atmosférica associada ao calor e a alta umidade que atua sobre a cidade . Por isso, os moradores da capital sentiram tanto calor nessa terça durante a tarde.

Juliana Baeta
jcosta@hojeemdia.com.br