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Agressões e até tiros invadem rotina escolar em Minas

Ataques ocorreram na Escola Estadual Orlando Tavares, no distrito de Ponto do Marambaia, em Caraí
Ataques ocorreram na Escola Estadual Orlando Tavares, no distrito de Ponto do Marambaia, em Caraí

Furtos, ameaças, agressões verbais e físicas. A insegurança já é corriqueira nas escolas mineiras, que somam mais de 13 mil ocorrências policiais neste ano. Porém, um ataque a tiros, nesta quinta-feira (7), mostrou que o espaço do saber e do desenvolvimento de crianças também está vulnerável à forma mais extrema de violência: quando se tenta tirar a vida de alguém. Para combater esse cenário – que para especialistas é reflexo da atual sociedade –, não basta só reforçar a segurança, mas enfrentar conflitos diversos, dentro e fora dos colégios.

 O capítulo mais recente e triste desta realidade ocorreu em Caraí, no Vale do Jequitinhonha. Armado, um adolescente de 17 anos invadiu uma instituição e feriu dois alunos a tiros de garrucha. O motivo, conforme a polícia, é que duas meninas teriam se recusado a ter um relacionamento com ele.

Diretor estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Paulo Henrique Santos Fonseca diz que o caso foge dos episódios comuns relatados, mas preocupa. “A escola é um reflexo e, nos últimos anos, temos observado um certo culto à violência, com a banalização do uso de arma de fogo”, ressaltou.

Quem também reforça que a violência passa por diversos setores da sociedade é a presidente do Sindicato dos Professores do Estado (Sinpro Minas), Valéria Morato. A agressividade, diz ela, é encontrada em todas as esferas da educação, inclusive nas instituições particulares. “Não temos números, mas temos recebido queixas e denúncias. Cada vez mais docentes falam sobre esse ambiente instável e violento”.

Uma possível saída é atuar na prevenção. “As práticas de violência têm relação com desigualdades e com preconceitos construídos historicamente”, lembrou Celso Tondin, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e coordenador de uma comissão temática no Conselho Regional de Psicologia de Minas.

De acordo com ele, a presença de profissionais na rede básica de ensino, como psicólogos e assistentes sociais, poderia auxiliar na descoberta dos “conflitos”. “Anteriormente a esses episódios, o sujeito pode ter conflitos dentro e fora da escola. Por isso, é importante perceber o que causa essa situação e trabalhar para que não se torne prática violenta”.

“Uma saída seria o poder público intervir e delimitar o que de fato é violência e o que não é. Eventos como o de ontem são situações em exceção e podem acontecer em escolas onde não existem casos frequentes, o que é desesperador por um lado, pois teremos que pensar no tipo de prevenção a ser feita. Mas não é só investir em polícia, câmera de vigilância, controle de acesso, como forma de reação. É muito mais complexo do que isso”

Valéria Cristina de Oliveira, pesquisadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) e do Núcleo de Pesquisa em Desigualdades Educacionais (Nupede)

Fortalecimento de ações

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG) lamentou o fato ocorrido. Uma equipe acompanha o caso e presta auxílio. Os estudantes feridos seguiam internados até o fechamento desta edição. A pasta disse que irá fortalecer as ações do Programa de Convivência Democrática, feito em todo o Estado.

A iniciativa “articula projetos e estratégias pedagógicas preventivas nas escolas para a melhoria da convivência entre alunos, professores, funcionários e demais membros da comunidade escolar”.

hojeemdia.com.br/

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Alvaro Vilaça

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Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

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SILVA JUNIOR

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Silva Júnior - Jornalista, radialista, colunista e setorista do futebol sete-lagoano, assina ainda o programa Eldorado nos Esportes na Rádio Eldorado AM 1300

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Arnaldo Martins

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Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.