Super Destaques

Ânimos exaltados: Câmara analisa novo pedido de cassação e tem uso de carro investigado

Ontem, a presidente da Casa, Nely Aquino, aceitou pedido de advogado sobre denúncia de uso de carros oficiais de maneira indevida
Ontem, a presidente da Casa, Nely Aquino, aceitou pedido de advogado sobre denúncia de uso de carros oficiais de maneira indevida

Cercada por denúncias de corrupção e com um vereador cassado, a Câmara Municipal de Belo Horizonte terá mais uma semana de ânimos à flor da pele. Os vereadores devem analisar até esta sexta-feira o segundo pedido de cassação contra Flávio dos Santos (Podemos), acusado da prática de “rachadinha” e de recebimento de verba ilegal por meio de uma ONG. Além disso, a presidente Nely Aquino (PRTB) aceitou ontem o requerimento do advogado Mariel Marra, que solicita informações sobre os deslocamentos dos carros oficiais da Casa, para apurar denúncias de supostos desvios de conduta dos vereadores.

Flávio dos Santos (Podemos) pode ser o segundo vereador a perder o mandato na história do Legislativo municipal, após a cassação do ex-vereador Cláudio Duarte, investigado pela Polícia Civil por supostamente embolsar R$ 1 milhão com o confisco de parte do salário dos funcionários.

Já Flávio dos Santos, investigado pelo Ministério Público (MPMG), foi absolvido pelos colegas, sem sequer enfrentar uma Comissão Processante — processo pelo qual três vereadores produzem um relatório recomendando ou não a cassação, antes da votação definitiva em Plenário.

As turbulências atuais, porém, podem influenciar na mudança deste cenário. Além da perda de mandato de Cláudio Duarte, três vereadores passaram a ser investigados pelo MPMG na semana passada: Bispo Fernando Luiz (PSB), Jair di Gregório (PP) e Catatau (PHS).

“Acredito que a situação é diferente. É claro que uma cassação, mais três vereadores investigados, pesam sobre a Câmara e podem influenciar o caso do Flávio, que foi absolvido em contexto diferente, mesmo com muitas evidências”, diz Mateus Simões (Novo), autor do primeiro pedido de cassação contra Flávio dos Santos.

Agora, além da prática de “rachadinha”, o vereador do Podemos é acusado de furto de energia elétrica e de água e de comandar uma organização sem fins lucrativos que teria recebido R$ 500 mil ilegalmente em bens materiais, incluindo um carro.

O novo pedido de cassação foi feito pelo estudante de direito Eduardo Otoni. Ele anexou áudios ao processo, nos quais funcionários do vereador detalham o esquema de repasse de parte dos salários ao parlamentar. Em uma das mensagens, uma servidora relata que R$1 mil de seu salário eram destinados a Flávio dos Santos — no Portal da Transparência, a denunciante tem salário de R$ 3 mil. “Foi combinado e eu agradeço a ele todos os dias e trabalho como se eu tivesse ganhando R$ 5 mil, R$ 10 mil”, diz a servidora.

Para Eduardo Otoni, as investigações contra Flávio dos Santos são tão graves quanto as denúncias que cassaram Cláudio Duarte. “A rachadinha condenou um vereador. No caso do Flávio, existem depoimentos de vários funcionários confirmando esse crime, e há outras denúncias. Sem contar que ele é investigado pelo Ministério Público, o que já configura a quebra de decoro”, diz Otoni.

Além da análise de cassação de Flávio dos Santos, a presidente da Casa, Nely Aquino (PRTB), recebeu ontem o requerimento do advogado Mariel Marra, protocolado na Casa no último dia 5, solicitando informações sobre os dados de deslocamentos diários fornecidos via GPS de todos os veículos oficiais da Câmara. Marra diz ter recebido uma denúncia sobre uso indevido dos carros, incluindo um vereador que teria utilizado um veículo oficial para levar a filha a uma praia capixaba.

O requerimento foi encaminhado ao Departamento de Transportes da Câmara e tem prazo de 30 dias para ser respondido, segundo os parâmetros da Lei de Acesso à Informação. “Se for o caso, se não tivermos resposta, posteriormente será via judicial e com multa diária pelo descumprimento”, diz Marra.

Flávio dos Santos (Podemos) nega ter praticado “rachadinha” e diz que a inocência dele será “provada ao final das investigações”. No primeiro pedido de cassação, ele foi absolvido por 13 colegas, sendo necessários 21 votos para abertura de uma investigação.

Parlamentares na mira do MP evitam exposição 

Os três vereadores que passaram a ser investigados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na semana passada têm evitado falar sobre o assunto. Bispo Fernando Luiz (PSB) e Jair di Gregório (PP), ambos acusados da prática de “rachadinha”, se pronunciaram apenas por meio de nota. Apenas o vereador Catatau (PHS), investigado por suposto uso incorreto de bens públicos, chegou a ir ao microfone do Plenário para se posicionar sobre as acusações.

Segundo a denúncia apurada junto a funcionários do gabinete do vereador Jair di Gregório pelo advogado Daniel Deslandes, o vereador do PP é acusado de confiscar R$ 8 mil apenas do salário de uma ex-assessora. O parlamentar também é denunciado por supostamente contratar dois funcionários fantasmas para o gabinete.

Por nota, di Gregório informou que as denúncias são fruto de “perseguição após ameaças que sofri na véspera da votação do pedido de cassação contra o ex-vereador Cláudio Duarte, conforme foi noticiado à época e que está sendo investigado pelo MP”.

hojeemdia

Eldorado1300

AGENDA

setembro 2019
D S T Q Q S S
« ago    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Publicidade

ARQUIVO GERAL

Alvaro Vilaça

Alvaro Vilaça

Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Linda Martins

Linda Martins

SILVA JUNIOR

Silva Júnior

Silva Júnior

Silva Júnior - Jornalista, radialista, colunista e setorista do futebol sete-lagoano, assina ainda o programa Eldorado nos Esportes na Rádio Eldorado AM 1300

Cebolinha

Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.