Super Destaques

Mudanças nos planos: reforma da Previdência adiará aposentadoria e sonhos de trabalhadores

Najara se aposentaria em quatro anos, mas terá que trabalhar por pelo menos mais oito
Najara se aposentaria em quatro anos, mas terá que trabalhar por pelo menos mais oito

Aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados com 379 votos a favor e 131 contra, a reforma da Previdência pode fazer com que milhares de mineiros precisem adiar sonhos. Trabalhadores que estão a poucos anos de conseguir a aposentadoria, de acordo com as regras atuais, terão de continuar no mercado formal por mais tempo.

É o caso da bioquímica Najara Cristina Fonseca Silveira, de 42 anos e que trabalha em um laboratório em João Monlevade, região Central do Estado. No caso dela, que tem direito a insalubridade, o tempo para se aposentar é de 25 anos de contribuição.

“Me programei para me aposentar e ficar mais na companhia dos filhos. Com a reforma, contudo, terei de esperar mais alguns anos”, lamentou a bioquímica, que há 19 anos trabalha em laboratório. Segundo o texto que está em pauta, ela deve se encaixar na regra de transição dos pontos. Nesse caso, deverá trabalhar, além dos 4 anos que faltariam para se aposentar, cerca de 8,5 anos a mais.

A professora Terezinha dos Santos, que já é aposentada em um cargo e planeja conseguir o mesmo direito em dezembro de 2020 no segundo cargo que ocupa, teme perder dinheiro com as novas regras.

“Vou completar 70 anos e já sou aposentada em um cargo. Poderei me aposentar no segundo daqui a dez anos, mas vou pedir aposentadoria proporcional antes, daqui a um ano e meio”.

Especialistas
O advogado Juliardi Ziviani, especializado em aposentadorias, também será atingido pela reforma. Com 38 anos de idade e 20 de contribuição, iria se aposentar em 15 pelas regras atuais. Com as alterações, o descanso foi postergado por, pelo menos, mais oito anos.

Com necessidade de contribuir por 40 anos para se aposentar com o valor integral, a reforma foi classificada como “muito dura” pelo advogado. Ele lembra que não é fácil manter a carteira assinada por todo esse período. Além disso, ressalta que, para quem trabalha em piores condições, o tempo pode pesar mais.

“O empregado que não está perto de se aposentar terá que trabalhar no mínimo o dobro para conseguir se adequar às novas regras. Acredito que muitos pontos ainda serão questionados na Câmara e no Senado, e que o texto final ainda possa mudar”, ressalta.

A reforma pode ser considerada como um passo importante do governo federal. No entanto, deixa de fora uma parte da população, afirma o especialista em Direito Previdenciário e sócio do Aith, Badari e Luchin Advogados, João Badari.

“A reforma é necessária, pois não haverá caixa para arcar com os aposentados no futuro. Porém, nos persuadiram falando que seria para acabar com os privilégios, e não é isso que está acontecendo. Pelo contrário. Muitas categorias ficaram de fora e estão sendo privilegiadas”, diz. Como exemplo, ele cita os servidores dos Estados e municípios, policiais e políticos, entre outros.

Zema ainda aposta na inclusão de Estados e municípios no texto

O governador de Minas, Romeu Zema (Novo), comemorou ontem a aprovação da reforma da Previdência (PEC 6/19), em primeiro turno, na Câmara dos Deputados. O texto original foi votado no plenário, em Brasília, na noite de quarta-feira e recebeu 379 votos a favor e 131 contra.

Zema se disse “extremamente satisfeito” com o resultado e que tem esperança de que, no Senado, Estados e municípios sejam incluídos na reforma. “Esse sucesso além do esperado sinaliza claramente que a proposta, sendo enviada agora para o Senado, terá grandes chances de incluir Estados e municípios, que é o nosso grande anseio”.

O partido Novo desistiu de incluir as emendas que agregam os entes da Federação no texto por acreditar que não teria votos suficientes para aprová-las.
O governador afirmou ainda que a reforma pode frear o crescimento do déficit da Previdência em Minas, que, segundo ele, será de R$ 18 bilhões em 2019 e deve chegar a R$ 78 bilhões ao longo dos quatro anos de mandato.

“A reforma vai vir em um momento muito adequado porque vai reverter esse crescimento. Não vai resolver o problema do déficit, mas em vez de esses R$ 18 bilhões previstos para este ano se transformarem em R$ 20 bilhões ou R$ 25 bilhões em alguns anos, tendem a se estabilizar e até recuar nos anos seguintes”. Ainda assim, Zema afirmou que irá manter medidas de austeridade.

Destaques
Após a aprovação do texto base da reforma da Previdência na noite de quarta-feira, os deputados retomaram as discussões ontem para votação dos destaques – propostas de mudanças apresentadas pelos parlamentares –, mas, devido às articulações políticas, a sessão só começou no fim da tarde.

Ao todo, os deputados apresentaram 94 destaques. Essas propostas dos partidos mudam regras para algumas categorias e podem reduzir a previsão de economia do governo.

Entre os destaques em votação até o fechamento desta edição estavam, por exemplo, o que sugere alteração nas regras de transição para as aposentadorias de trabalhadores da iniciativa privada, pelo INSS, estabelecendo para o grupo um único pedágio (tempo adicional de contribuição), de 30%. (Malú Damázio)

hojeemdia

 

Eldorado1300

AGENDA

julho 2019
D S T Q Q S S
« jun    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Publicidade

ARQUIVO GERAL

Alvaro Vilaça

Alvaro Vilaça

Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Linda Martins

Linda Martins

SILVA JUNIOR

Silva Júnior

Silva Júnior

Silva Júnior - Jornalista, radialista, colunista e setorista do futebol sete-lagoano, assina ainda o programa Eldorado nos Esportes na Rádio Eldorado AM 1300

Cebolinha

Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.