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Dengue hemorrágica mata 40% dos doentes; sobreviventes relatam o drama vivido

Lucas Prates /
Lucas Prates /

Dois anos após não registrar casos de dengue grave, popularmente conhecida como hemorrágica, Belo Horizonte já tem 22 diagnósticos confirmados em 2019. O índice de letalidade é de 40%, com nove mortes na metrópole. Para quem enfrentou os sintomas mais intensos da doença e sobreviveu, o sentimento é de alívio e o cuidado com o mosquito, redobrado.

Normalmente, a forma mais agressiva acomete quem já contraiu a enfermidade. Não bastassem as fortes dores no corpo, vômitos persistentes e sangramentos durante dias até que a pessoa retome a rotina, a recuperação plena pode levar dois meses. Alguns pacientes desenvolvem um quadro crônico de fadiga neste período.

Para a jornalista Graciele de Oliveira, de 41 anos, o drama foi intenso. Os dois filhos, de 8 e 10, foram diagnosticados ao mesmo tempo, no último mês. “Foi horrível, um terror. Nunca vi nada parecido. Eu vi de perto a violência com que o vírus age no corpo”, relembra a mãe.

A situação piorou após o quinto dia de contaminação. Ela desconfiou ao notar a presença de sangue no vômito e no nariz dos meninos. A família retornou ao hospital e as crianças permaneceram internadas por apenas 24 horas para hidratação venosa, mas o tratamento seguiu em casa com a ingestão diária de quatro litros de água para cada um.

Sintomas mais comuns são dores abdominais, vômitos e sangramento pela gengiva, nariz e boca; último balanço aponta mais de 20 mil casos de dengue na capital

Ambos ficaram fora da escola por duas semanas. Em casa, ela montou um quadro para controlar a quantidade de água ingerida pelos garotos. “Foi um processo lento. Tive muito cuidado porque estavam abatidos, fracos. Continuei com a hidratação e eles retomaram as atividades diárias só quando estavam em condições melhores. Agora, o uso do repelente é constante”, acrescenta.

O alívio de ter vencido a mesma batalha é compartilhado pelo educador físico Rafael Pereira, de 35. Ele teve a doença há alguns anos e ficou internado por quase uma semana. “No início, não levei muito a sério. Achei que era só a dengue normal e continuei fazendo minhas atividades. Mas passaram alguns dias e as plaquetas caíram muito e fui internado às pressas”.

Rafael também teve dengue hemorrágica, mas a forma física do educador ajudou a vencer a doença / Mauricio Vieira / N/A
Rafael também teve dengue hemorrágica, mas a forma física do educador ajudou a vencer a doença / Mauricio Vieira / N/A
No hospital, Rafael evacuou sangue e teve coceiras intensas. A recuperação também foi lenta, mas impulsionada pela rotina da prática de esportes. “Fiquei uns três meses com baixo rendimento, me sentia muito prostrado. Mas a minha forma física me ajudou, certamente”, disse.

Leve a sério
Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano diz que a volta à rotina deve ser feita respeitando os limites do corpo de cada. “O que chama atenção nos casos de dengue grave é que boa parte dos indivíduos apresentam uma fadiga crônica, falta de energia. É um sintoma que pode persistir por um tempo no organismo”, explica.

Professor universitário de medicina, José Geraldo Ribeiro reforça que os sintomas aparecem, na maioria das vezes, a partir do quinto dia. “É importante se alertar com vômitos e dores de cabeça e abdominais contínuas. São alardes diretos. A queda de pressão também não pode ser ignorada. A procura pelo médico deve ser imediata”, aconselha.

Com Hoje em Dia

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Alvaro Vilaça

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Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Aldryene Prata

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SILVA JUNIOR

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Silva Júnior - Jornalista, radialista, colunista e setorista do futebol sete-lagoano, assina ainda o programa Eldorado nos Esportes na Rádio Eldorado AM 1300

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Arnaldo Martins

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Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.