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Cidades tentam vencer medo de barragens para salvar a Semana Santa

Reprodução

Com a proximidade do feriado de Semana Santa, prefeituras de cidades históricas mineiras tentam evitar que o medo de rompimento das barragens prejudique o turismo e a economia dos municípios. Somente em unidades da Vale, 17 barragens tiveram elevação do risco de rompimento – dez delas, apenas ontem. Um dos desafios dos prefeitos é mostrar que as cidades, ou pelo menos as atrações turísticas, não estão nas áreas ameaçadas.

Além de encontros com entidades com o objetivo de disseminar informações que afastem rumores de que elas possam ser atingidas pelas estruturas, campanhas nas redes sociais, realizadas pelas próprias prefeituras, também são realizadas. Especialistas afirmam que as ações são fundamentais para atrair mais turistas e manter o caixa positivo.

“Muitas cidades tiveram o turismo afetado. As pessoas viram o rompimento da barragem de Brumadinho e ficaram receosas. Tem gente com medo até de vir a Belo Horizonte”, afirma o consultor do setor hoteleiro Maarten Van Sluys. Segundo ele, é necessária uma campanha para desmistificar o caos que paira sobre Minas. “Muitas cidades nem têm barragens e o turismo delas está afetado”, lamenta.

A Prefeitura de Ouro Preto, na região Central de Minas, segue a linha proposta por Van Sluys. A gestão municipal anunciou que vai resgatar tradições centenárias para atrair mais turistas e impedir que o pânico espante os cerca de 25 mil visitantes esperados para a Semana Santa, uma das datas mais movimentadas no município.

Na última quarta-feira, a Vale elevou o nível de risco de 2 para 3, o patamar máximo, das barragens Forquilha I e III, em Ouro Preto. Mesmo assim, Defesa Civil e órgãos municipais garantem que o centro histórico da antiga capital de Minas, hoje patrimônio cultural da humanidade, não seria afetado. “Estamos nos reunindo para mostrar que Ouro Preto não está na rota da lama”, afirma o secretário de turismo, Felipe Guerra, que garante que já passa de 65% a taxa de ocupação na rede hoteleira para a data.

Ele tem realizado reuniões com entidades e empresários. A primeira delas, que contou com a participação da Defesa Civil e representantes das secretarias de Turismo, Indústria e Comércio e Segurança Pública, aconteceu na semana passada e outras já estão previstas. Márcio Abdo de Freitas, presidente do Convention & Visitors Bureau, ressalta que Ouro Preto tem uma área de 1.245 quilômetros quadrados, quase quatro vezes o tamanho de Belo Horizonte, e apenas uma pequena parte da zona rural precisou ser evacuada.

O hotel Solar das Lajes e a Pousada Casa Grande, ambos com 21 quartos, afirmam estar com 95% de ocupação para o período. “Todas com depósito já realizado e, acreditamos, sem risco de desistência”, afirma o dono das duas unidades, Marco Aurélio Niquini. No último fim de semana, o empresário foi surpreendido com cerca de dez cancelamentos relacionados ao anúncio feito pela Vale. Mesmo assim, para ele, a conscientização evitará que o quadro se repita no feriado.

Em Congonhas, a situação de momento preocupa, embora a cidade nem esteja na lista das 17 barragens da Vale. A ameaça vem da barragem Casa de Pedra, operada pela CSN. Um hotel que possuía taxa de ocupação de 60% agora tem apenas 2% dos quartos ocupados.

A expectativa do prefeito da cidade, Zelinho (PSDB), no entanto, é que a Semana Santa atraia a mesma quantidade de turistas do ano passado, cujo número não foi informado. Para isso, ele aposta na divulgação de que a o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, “Patrimônio Cultural da Humanidade”, onde são realizadas as festividades, não seria atingido em caso de rompimento.

O prefeito destaca, ainda, que a barragem foi construída a jusante – método diferente do utilizado na de Fundão, operada pela Samarco e que se rompeu em 2015, em Mariana, e na do Feijão, da Vale, que deixou parte de Brumadinho debaixo de lama.

Em nota, a CSN garante que “não existe qualquer tipo de risco relacionado à barragem. A estrutura cumpre com todas as normas de segurança e encontra-se devidamente autorizada a operar por todos os órgãos competentes”.

Editoria de Arte

*Com Hoje em Dia

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Alvaro Vilaça

Alvaro Vilaça

Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Redação Redação

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Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

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