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Em meio a luta e tristeza, trio de mulheres cria Movimento contra o Feminicídio

Passando a Limpo - 01-03--2019

O programa Passando a Limpo desta sexta-feira (01), apresentado por Álvaro Vilaça, Wagner de Oliveira e Leila Dias, recebeu nos estúdios da Rádio Eldorado AM1300 as advogadas Thalyne Ragazzi e Camila Lopes e a estudante de Direito Gabriella Máximo. O trio organiza a campanha “Sete Lagoas Contra o Feminicídio”, que acontecerá no dia 17 de março, quando será realizada a ‘Caminhada contra o Feminicídio’, com o objetivo de chamar a atenção da população e das autoridades para os altos índices de violência contra as mulheres.

Recentemente, em uma matéria, o Jornal Hoje Cidade abordou o tema de forma detalhada. Na ocasião, as autoridades apontaram que nove mulheres foram assassinadas vítimas de feminicídio em Sete Lagoas em dois anos. Leia a matéria completa AQUI.

O primeiro passo para o projeto, foi dado após o assassinato de Marina Máximo, de 24 anos, que foi vítima de feminicídio no final de 2018. Marina era irmã de Gabriella, e o fato fez com que a estudante e as duas advogadas criassem o movimento, que visa dar suporte a outras mulheres que sofrem algum tipo de violência e consequentemente, evitar o crime. Clique AQUI e relembre o caso de Marina.

“A nossa luta é em prol da mulher e o nosso projeto se chama “Marinas”. Este nome foi escolhido devido a morte da minha irmã, Marina, que foi vítima de feminicídio no final do ano passado. A nossa intenção é fazer com que este projeto prospere e principalmente que sejamos ouvidas, que consigamos fazer com que todas as pessoas nos ouçam para que, juntos, possamos lutar em prol desta causa tão importante”, disse Gabriella Máximo.

Vale ressaltar, que a posição do Brasil no ranking de países que mais matam mulheres no mundo assusta, uma vez que o país ocupa a quinta posição. De acordo com o site UOL, o Brasil só perde para El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia, em número de casos de assassinato de mulheres. Em comparação com países desenvolvidos, aqui se mata 48 vezes mais mulheres do que o Reino Unido, 24 vezes mais que a Dinamarca e 16 vezes mais que o Japão ou Escócia.

Gabriella aponta a inconsistência dos acontecimentos relacionados ao crime contra a mulher no país. “Na verdade, é uma realidade desesperadora do que anda acontecendo em todos os lugares do país. Relatos de feminicídios, agressões verbais e físicas, e infelizmente, tem mulheres que muitas vezes nem sabem o que estão passando. No caso da Marina, o que aconteceu com ela, o tipo de feminicídio, foi um pouco atípico, pois ao contrário de muitos casos, onde os agressores dão sinais de violência com agressões físicas e até verbais, na situação dela, ela nunca sofreu nenhum tipo de violência nestas questões. O agressor “virou a chave” e cometeu o crime da noite para o dia, pois não haviam sinais óbvios da agressão”, disse a estudante sobre o caso da irmã.

“É muito traumático, muito triste e até hoje eu não sei onde eu busco forças, às vezes, para falar e expor este tipo de situação, até porque o agressor também se tornou uma pessoa da família, no decorrer dos anos de namoro que os dois viveram”, lamentou Gabriella.

Gabriella falou ainda, sobre a permanência da memória da irmã, que sempre existirá e de seu nome, que sempre será exaltado. “Eu vou sim exaltar o nome dela, vou expor o nome dela, porque ela precisa ser lembrada todos os dias pela mulher que ela foi e continua sendo. Eu gosto de sempre falar no nome dela no presente, porque eu sei que ela sempre está aqui em todos os momentos. O projeto tem o nome dela e é destinado a todas as mulheres que têm vidas, que têm uma saída ainda”, disse.

Foi ressaltado na entrevista, que algumas pessoas, às vezes leigas, creem que o ato desse feminicídio, se deu após um surto do autor que tirou a vida da vítima, mas, vale lembrar que, de acordo com especialistas, não houve surto e sim um ato premeditado.

Os crimes são cometidos, muitas vezes, devido ao pensamento do autor em imaginar que a vítima é propriedade dele, ou seja, pertence apenas a ele e que não pode ‘viver sem tal’. “O que acontece neste tipo de situação é a pessoa achar que é dona da outra. As pessoas têm que atentar parta os sinais que o agressor dá, mesmo que “silenciosos”, por exemplo: “nossa, você vai sair com essa roupa?”. São pequenos sinais que aparecem e estão enraizados como normais. Quero destacar esse ponto, que é muito importante, e a nossa intenção mesmo, é fazer com que o feminicídio acabe”, disse a estudante de Direito.

O projeto, de acordo com a advogada Camila Lopes, surgiu após um caso trágico, que serviu para incentivar o trio a levantar uma bandeira e lutar em prol das vidas das mulheres. “O nosso projeto, além da punição, trabalha também com a questão da educação, porque vemos o feminicídio como consequência do machismo, que foi algo construído no decorrer dos tempos”, disse.

Vários assuntos foram abordados na entrevista, e principalmente esclarecidos, principalmente quanto à relacionamentos e sentimento de posse, que existem entre o casal.

Feminicídio x Homicídio

O que diferencia o feminicídio de um homicídio comum, é que, o feminicídio normalmente acontece no âmbito familiar, praticado por um companheiro ou ex-companheiro, geralmente uma pessoa que está no círculo de convívio da vítima. De acordo com o relatado na entrevista, isso é o que acontece em vários casos, sendo que em cerca de 60% das vezes, o crime é cometido por um ex-companheiro. E quando é um homicídio comum, é relacionado a algum fato fora do âmbito familiar, conjugal. “O feminicídio é um crime de horror, onde a mulher, geralmente é vulnerável na situação e o agente que produz o crime, teoricamente, é alguém do convívio da mulher”, disse Thalyne Ragazzi.

As ações do projeto começam com a “Caminhada Contra o Feminicídio”, que acontecerá no próximo dia 17 de março. Além disso, o grupo pretende dar prosseguimento ao movimento, com a possível criação de uma casa de apoio às mulheres,além de palestras e auxilio psicológicos às vítimas.

O programa Passando a Limpo vai ao ar pela Rádio Eldorado todas as sextas-feiras às 08h da manhã, com transmissão ao vivo e em vídeo pelo site SeteLagoas.com.br e Seven TV, além de reprises aos domingos à noite, logo após as jornadas esportivas na Rede Eldorado de Comunicação.

Clique AQUI e assista a entrevista completa!

Da Redação

 

Barbara Dias

Barbara Dias

Jornalista com especialização em publicidade e marketing, coordenadora do Portal Sete, editora chefe do Jornal Hoje Cidade e assina o programa Tarde Viva na Rádio Eldorado AM 1300

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Alvaro Vilaça

Alvaro Vilaça

Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Barbara Dias

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Jornalista com especialização em publicidade e marketing, coordenadora do Portal Sete, editora chefe do Jornal Hoje Cidade e assina o programa Tarde Viva na Rádio Eldorado AM 1300

SILVA JUNIOR

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Silva Júnior - Jornalista, radialista, colunista e setorista do futebol sete-lagoano, assina ainda o programa Eldorado nos Esportes na Rádio Eldorado AM 1300

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Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.