Quando escuta e palavras de apoio ajudam a salvar vidas

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AJUDA – O núcleo do CVV funciona 24 horas, com cada voluntário trabalhando de quatro a cinco horas

Voluntários do CVV de Sete Lagoas tentam reduzir índices de suicídio

Considerado um tabu, sobretudo devido ao sofrimento que causa às famílias, o suicídio é pouco debatido pela sociedade. No entanto, buscar discussões sobre o autoextermínio, não no sentido de expor os casos, e sim como uma forma de descobrir as causas e caminhos para que novos episódios não se repitam, é a melhor prevenção.

Considerado um problema de saúde pública, a cada 40 segundos uma pessoa se mata no planeta, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ainda segundo o órgão, é reconhecida a ligação entre suicídio e sofrimentos psiquiátricos, como depressão e transtornos de uso de álcool. No entanto, muitos suicídios, aponta a organização, são cometidos por impulso, em momentos de crise.

É para dar um ombro amigo a pessoas em crise, angustiadas ou que sofrem com problemas emocionais, ajudando-as a encontrar um caminho, que funciona há oito meses em Sete Lagoas um núcleo do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Por telefone, voluntários ouvem e dão conselhos a pessoas que passam por sofrimento emocional. Basta ligar para o número 188.
Membro do CVV, Geraldo Magela defende que para evitar que o próximo acabe com a própria vida é preciso deixar de lado preconceitos e levar amor às pessoas ao redor.

“O que não aprendemos por amor, aprendemos por meio da dor. Creio que é o momento de mudarmos nossas atitudes em relação ao próximo. Ouvir mais e falar menos. Agir mais e falar menos e tentar ser coerente entre um e outro. Mais diálogo e mais paciência. Mais ocupação com a essência do que aparência”, defende Geraldo Magela.

Observar se o próximo – seja na família, no círculo de amizades ou no trabalho – passa por algum sofrimento, como depressão, e tentar a ajudá-lo é algo que cada um pode fazer no dia a dia.

De acordo com a coordenadora dos cursos e treinamentos do CVV de Sete Lagoas, Norma Moreira de Oliveira, o serviço nacional recebe cerca de 5 mil a 7 mil chamadas por dia, e o centro consegue atender aproximadamente 25% delas, devido ao reduzido número de voluntários, que chega a 2.400 em todo o país. “Antes do 188, recebíamos 1 milhão de chamadas por ano. A expectativa é a de que agora, com a inclusão da linha em Sete Lagoas, vamos dobrar este número, salvando ainda mais vidas”, disse.

O núcleo do CVV funciona 24 horas por dia, com cada voluntário trabalhando de quatro a cinco horas. Segundo Magela, as ligações não serão apenas de potenciais suicidas, mas pessoas que estão angustiadas ou com depressão.

O voluntário de Sete Lagoas pode atender pessoas de várias partes do país. Quem ligar para o 188 é direcionado para onde há linha disponível para o atendimento, independentemente da região.

Sintomas e prevenção

 

Psicólogo em Sete Lagoas há três anos, Éder Juliano das Chagas, de 41, fala sobre a depressão, como identificá-la e prevenir o suicídio.

Quais são os primeiros sintomas da depressão?
Segundo pesquisadores, os sintomas da depressão podem aparecer em qualquer idade, variando quanto à intensidade e tempo de permanência em pessoas sem histórico de episódios maníacos, hipomaníacos ou mistos. Segundo recomendação da Associação Americana de Psiquiatria (APA), os sintomas mais perceptíveis no início da depressão são humor negativo ou rebaixado, descrito como sentimento de tristeza e mal-estar generalizado. Isso pode ser entendido com frases de pacientes que se descrevem nesses estados da seguinte forma: “me sinto triste o tempo todo”, “quero chorar toda hora”. Além disso, a redução de energia e disposição para realizar as atividades diárias. Essa situação pode ser vista pelos demais como preguiça e comodismo. Fadiga intensa – os pacientes se queixam de ficarem muito cansados após pouco esforço, o que promove nos familiares e amigos a impressão de “preguiça”. Isso estigmatiza quem padece da doença. Redução da capacidade de concentração também é um sintoma, além de problemas com o sono e redução do apetite. Diminuição da autoestima e autoconfiança, lentidão psicomotora relevante, perda de libido/desejo sexual e de memória também se apresentam.

O que deve ser feito ao perceber alguém com sintomas de depressão?
A primeira abordagem é muito importante e deve ser feita de forma tranquila, com um diálogo sincero sobre o que se percebeu como sintoma depressivo. O passo principal nesse momento é encaminhar a pessoa a um psiquiatra para que seja feito o diagnóstico de depressão. Essa é a melhor ajuda que essa pessoa poderá conseguir: o auxílio de um profissional.

Como identificar um possível suicida?
Essa é uma tarefa difícil, até mesmo para os profissionais, porque ninguém é um suicida. A pessoa se torna propensa a cometer suicídio em decorrência de um problema ou comportamento que a induz a acreditar que a única forma de acabar com seu sofrimento é tirando sua vida, o que não é verdade. Muitos são os casos bem-sucedidos de pessoas que pensavam em suicídio e abandonaram essa ideação após o tratamento medicamentoso e psicoterápico. Uma dica sempre importante é, ao perceber algum traço que indique vontade de desistir da vida, dialogar e encaminhar essa pessoa a um profissional para cuidados médicos. A nossa atual sociedade tem padecido de várias doenças, mas algumas são silenciosas, como a depressão, que é pano de fundo de vários suicídios. Por esse motivo é premente que se dialogue mais intensamente sobre depressão e suicídio no cotidiano para esclarecer ou mesmo desmistificar questões em torno do suicídio. Uma importante visão sobre o suicídio é que onde se conversa abertamente sobre os problemas relacionados à depressão, as pessoas teriam mais informação, o que tende a diminuir os casos de suicídio, porque essas pessoas saberão que a dor que lhes aflige tem solução.

Por Giovani Cruz

Colaborou Deborah Evelyn

 

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