Saúde

Pelo menos 20 pessoas morreram em 2018 à espera da doação de órgãos em Montes Claros

Número de pacientes que não resistiram à espera por órgãos em 2018 já é maior do que índice de mortes registradas em 2017 — Foto: Reprodução/TV TEM
Número de pacientes que não resistiram à espera por órgãos em 2018 já é maior do que índice de mortes registradas em 2017 — Foto: Reprodução/TV TEM

A busca de centenas de pacientes do Norte de Minas pela sobrevivência através de um doador de órgãos preocupa autoridades de saúde e tem gerado dados alarmantes. O “Setembro Verde” é uma campanha realizada por unidades de saúde que mostra a alegria de quem já conseguiu um transplante, mas ressalta a angústia de quem está à procura de um doador. Segundo o MG Transplantes, apenas em 2018, cerca de 20 pessoas morreram em Montes Claros na fila à espera de um doador. Os números já são maiores que em todo o ano anterior; em 2017, 19 pessoas morreram na fila de espera.

Além dos pacientes que não resistiram à espera, mais 280 ainda esperam por um órgão compatível. Dentre estas pessoas que estão na fila, ainda segundo o MG Transplantes, 261 esperam por um rim, seis aguardam por um fígado e 13 pessoas estão na fila esperando por uma doação de córnea.

Há um ano e meio o comerciante Valmir Eustáquio faz parte das estatísticas. Ele foi diagnosticado com uma cirrose hepática, doença que leva a falência do fígado. Desde então, as expectativas de conseguir um doador pausaram a vida do comerciante. “Eu não esperava, né? Uma pessoa que estava normal como eu estava, não espera nunca que de repente fosse acontecer uma coisa dessas. Todo mundo dá aquele impacto”, diz.

A esposa dele, que acompanha todo o tratamento, comenta que o sofrimento do marido se estende para toda a família. “É muito difícil, porque debilitou muito ele no início. Tinha dificuldades para andar, se alimentar, ficou muito fraco mesmo. Então a gente se preocupa muito”, comenta Aparecida Souza sobre as dificuldades do marido.

Desde então, Valmir faz acompanhamento médico e se trata com medicamentos, mas só o transplante de fígado pode curar. “Estou um ano e meio na fila. Não pode viajar, tem que ficar só aqui em Montes Claros aguardando, porque vai que sai este transplante tão esperado. Então não pode, tem que ficar aguardando”, diz.

Sensibilização

No Brasil, casos como o do comerciante Valmir são cada vez mais comuns. Cerca de 40 mil pessoas estão à espera de um órgão, segundo o Ministério da Saúde; pelo menos 3.620 pessoas desta lista são de Minas Gerais.

De acordo com o coordenador do serviço de transplantes da Santa Casa, Luiz Fernando Veloso, a recusa das famílias em doar os órgãos de parentes falecidos ainda é a maior barreira para realização de transplantes. Cerca de aproximadamente 60% dos casos, as potenciais doações acabam não ocorrendo pela resistência dos parentes devido ao pânico diante da situação da morte cerebral ou da morte do ente querido, além da questão cultural que impede a doação.

“A gente entende a dor, a dificuldade de enfrentar a morte de alguém que a gente ama. Mas a gente precisa ter uma percepção maior do outro, de quem não é seu parente, que está ao seu lado precisando e pode continuar vivendo com um pedacinho da vida de quem se foi”, explica.

Pedaço de uma nova vida

Uma doença autoimune atacou os rins do Ian Costa, de 21 anos. Ele chegou até quase 80% dos órgãos comprometidos e só um transplante salvaria a vida do jovem. Felizmente, o caso dele teve um final feliz. A família descobriu que ele e a irmã tinham compatibilidade para que ela doasse um dos rins, e a cirurgia foi feita na semana passada.

“Além do sentimento que tenho por ele, é uma questão de amor ao próximo. Além dele ser o meu irmão, é um próximo. Quando soube que tinha a possibilidade, fiquei muito feliz por ajudá-lo e saber que ele poderia ter uma vida mais normal”, comemora a irmã Taynara Costa.

Segundo os médicos, o procedimento foi um sucesso. Os dois irmãos passam bem e aguardam pela alta no hospital. Quem recebeu a doação, tem sentimento de gratidão e vontade de retribuir o ato de amor. “Até então eu estava na esperança de que podia ser tratado, mas não deu. Tive que aceitar e me preparar psicologicamente para isso, e deu certo. Você põe a mão na consciência e fala: ‘tem pessoas que também vão precisar’. Então, não só alguém da minha família, mas futuramente, quando eu morrer, eu penso em ajudar os outros”, afirma Ian.

Como doar

Para ser um doador, o primeiro passo é comunicar a família sobre a intenção de doar. Não é necessário documentar, é preciso apenas que a família esteja ciente da decisão. Um doador de órgãos e tecidos pode beneficiar até quatro pessoas. De acordo com a Santa Casa de Montes Claros, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), organiza e regula todo o processo de doação de órgãos.

As etapas vão desde a identificação de potenciais doadores, abordagem e acompanhamento psicológico da família até a articulação e o encaminhamento de informações. É a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) que viabiliza a doação e a ampliação quantitativa e qualitativa na captação de órgãos.

Barbara Dias

Barbara Dias

Jornalista com especialização em publicidade e marketing, coordenadora do Portal Sete, editora chefe do Jornal Hoje Cidade e asinsa o programa Tarde Viva na Rádio Eldorado AM 1300

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Alvaro Vilaça

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Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

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Silva Júnior - Jornalista, radialista, colunista e setorista do futebol sete-lagoano, assina ainda o programa Eldorado nos Esportes na Rádio Eldorado AM 1300

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Arnaldo Martins

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Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.