Funcionários indignados com salários em atraso no HNSG

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[LEGENDA_P_CH]MANIFESTAÇÃO[/LEGENDA_P_CH] - Funcionários têm se mobilizado por direitos trabalhistas, mas sem vitórias

Sindicato busca direitos trabalhistas e não descarta possibilidade de paralisação; direção do hospital tenta realinhar caixa para sanar problema

Com atrasos salariais constantes, funcionários do Hospital Nossa Senhora das Graças estão “vivendo um verdadeiro caos”. É dessa forma que o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Saúde em Minas (SintraSaúde), Leonardo Fernandes, define a situação dos servidores da instituição.
Dos 834 funcionários, cerca de 40 já pediram rescisão indireta através do sindicato, alegando atraso de pagamento. Segundo Leonardo, não está descartada uma possível paralisação, o que será decidido em assembleia, ainda sem data marcada, aguardando decisão dos trabalhadores.

Ainda de acordo com Leonardo, diversas providências vêm sendo tomadas pelo sindicato com relação ao atraso nos pagamentos, que têm sido efetuados nos dias 25 a 30 de cada mês. “Além de não pagar até o 5º dia útil, a INSG (Irmandade Nossa Senhora das Graças, mantenedora do hospital) paga para alguns 50% e para outros 80% dos salários, um absurdo para os trabalhadores”.

Ele conta ainda que vêm sendo impetradas ações junto ao Ministério do Trabalho e Ministério Público contra o hospital, que desconta o FGTS e INSS na folha e não repassa o valor à União, como determina a lei.

“Temos solicitado ao Ministério Público uma Ação Civil Pública contra o hospital em Sete Lagoas para garantir os direitos dos trabalhadores. No caso de acordo judicial com os funcionários, o hospital também não tem cumprido”, denuncia Fernandes.

O sindicalista conta que há funcionários enfrentando dificuldades para manter as famílias. Com o atraso e pagamento parcial, fica comprometido o pagamento de contas e até mesmo a compra de alimentos.

G.C., de 26 anos, não suportou mais a situação e pediu a rescisão indireta através do sindicato em fevereiro deste ano, após mais de cinco dedicados ao trabalho na instituição. “Pedi demissão. Desgastante demais trabalhar sem receber. Não tive condições de continuar atrasando todos meus compromissos. Perdi a motivação, e atinge também o psicológico. E o pior, recebi somente parte do FGTS. Foi feito acordo na Justiça do Trabalho e nada, o hospital não cumpre. É lamentável a situação”, disse.

“Não tinha mais condições de trabalhar com todos os compromissos atrasados, prestação da casa, água, luz. Recebi o saldo do FGTS até 2015. Fizemos acordo judicial com previsão da primeira parcela em março e, até hoje, nada. Muito difícil” A.M. Técnica em enfermagem

Procurado pela reportagem, o diretor geral do hospital, Cléber Amorim, informou que a instituição está fazendo o possível para cumprir os compromissos. “Considerando os recursos disponíveis, estamos alinhando os valores até o pagamento de um percentual possível do salário, sem priorizar nenhuma classe de profissional. Estamos conseguindo, com a reprogramação de caixa, realizar o pagamento no mês de 86% da folha e mantendo um escalonamento de 14 % restante no mês seguinte”, explica.

Segundo ele, ainda não foi possível fazer o pagamento no 5º dia útil do mês, por não ter recursos em caixa da ordem de R$ 1,3 milhão para quitar a folha. “Toda esta situação foi agravada pelo não repasse de recursos do governo estadual, o que inviabilizou qualquer planejamento e correção. Optamos por garantir o pagamento do 13º integral de 2017 nos meses de janeiro e fevereiro”, afirmou Cléber.

De acordo com dados repassados pela direção do hospital, o Estado deve à instituição cerca de R$ 3,3 milhões.

Cléber contou ainda que as férias dos funcionários estavam atrasadas em quatro meses até dezembro de 2017 e que foi possível reduzir para 30 dias de atraso. “Esta descontinuidade e irregularidade nos pagamentos afetam, inclusive, os repasses dos médicos”, ressaltou.
Para ele, a prioridade da gestão é retornar a folha de pagamento ao 5º dia útil e manter regular o repasse médico mensal, “mas, para isso, é indispensável, dentre outras variáveis, a regularidade de pagamento do Governo do Estado, concluiu.

Conta sempre fecha no vermelho

Segundo a direção do Hospital Nossa Senhora das Graças, a cada mês a gestão fica mais difícil sem os repasses devidos do Estado.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.
O custo da operação hospitalar é maior que o valor recebido de custeio dos serviços, e quando essa verba não chega, a situação fica ainda mais difícil.
O HNSG mantém um déficit de fluxo de caixa na ordem de R$ 704.188,27 mensais, o que torna a operação inviável. Todavia, a instituição se mantém ainda em funcionamento graças às negociações junto a fornecedores, atrasos indesejáveis nos pagamentos de salários e repasses médicos.

Esta situação ainda se agravou na medida em que o Estado não tem mantido a regularidade dos repasses, fundamental para a minimização do referido déficit, que ocorre diante da citada disparidade entre custos reais e remuneração.

Desta forma, afirma a direção, o déficit de caixa alcança, na atualidade, o valor mensal de R$ 1.088.188,27. Para continuar atendendo a população de Sete Lagoas e de mais 35 municípios da região, a instituição precisou recorrer a empréstimos em 2017.
Isso amenizou o comprometimento do caixa, em média, em R$ 408.333 mensais, mas, por outro lado, piorou o resultado econômico da instituição diante do aumento do endividamento a longo prazo.

 

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