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Os desafios dos municípios mineiros com ”COVID-19 zero’

Taquaraçu de Minas, na região metropolitana, é um dos poucos municípios próximos a BH que ficou até 60 dias sem casos e óbitos (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 23/6/20)

Municípios mineiros que ficaram sem mortes e infecções têm em comum uma vacinação avançada e pouca população. Descuido, porém, compromete esforço

Trinta e sete municípios mineiros ficaram sem registros oficiais de casos da COVID-19 durante dois meses, entre 24 de julho e 24 de setembro. No mesmo período, em 420 das 853 cidades do estado não ocorreram mortes provocados pelo coronavírus. As informações constam em levantamento feito pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Segundo a pasta, as 37 cidades que tiveram “zero COVID-19” nesse período pesquisado são municípios de baixa população, espalhados por 10 regiões do estado, sendo o maior deles Rio   Pomba, de 18.007 habitantes, na Zona da Mata.

O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estêvão Urbano, afirma que, junto com o “efeito rebanho que a vacinação em massa começa atingir”, o baixo contingente populacional contribuiu para que essas cidades conseguissem êxito no combate à pandemia.

Ele alerta, porém, que o fato de as cidades permanecerem dois meses sem notificações da doença  não significa que não terão mais casos de contaminação do vírus, que pode ser “reintroduzido” nos referidos municípios, inclusive com a contaminação de moradores que viajarem para outros lugares, seja a trabalho ou a passeio.

E adverte que as autoridades sanitárias e a população de municípios que conseguiram zerar locais devem manter as medidas preventivas contra transmissão da COVID-19, como o isolamento social e o uso de máscaras, pois o relaxamento dos cuidados poderá permitir o retorno do coronavírus e o surgimento, ou até o aumento, de novos casos.

Um exemplo foi  Piracema, no Centro Oeste de Minas. O município de 6.386 habitantes conforme o IBGE estava na lista de “COVID-19 zero” . Porém, um surto recente de casos obrigou a prefeitura inclusive a suspender as aulas presenciais por 14 dias. Segundo moradores, uma festa particular que reuniu centenas de pessoas, inclusive moradores de outras cidades, seria o provável foco de disseminação do vírus.

Atenção constante

“A  vacina gera uma imunidade, gera uma barreira, mas sabemos que a vacina não protege 100% (das pessoas) contra a infecção. Então, do mesmo jeito que está tudo bem agora, se houver um relaxamento, uma sensação de que a pandemia acabou, pode piorar novamente. Exemplo disso são os Estados Unidos, onde foram registrados dois mil mortos (da COVID-19) nos últimos dias”, afirma Urbano.

Avanço da vacinação contribuiu para que cidades mineiras com menos habitantes baixassem drasticamente os números de COVID-19(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Avanço da vacinação contribuiu para que cidades mineiras com menos habitantes baixassem drasticamente os números de COVID-19(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

A Secretaria Estadual de Saúde, que divulgou os números sexta-feira (24/09), informou que o levantamento foi feito com base no seu sistema de dados (Sivep), cujo preenchimento é de responsabilidade dos municípios. A pasta considera que foi “um conjunto de fatores contribuiu para a diminuição drástica dos casos e óbitos em diversos municípios nesses últimos meses”.

Lembra que mais de 47% da população mineira acima de 18 anos de idade já completou o esquema de vacinação contra o coronavírus, sendo que o percentual de aplicação da primeira dose atingiu 93% entre os adultos no estado. “Com isso, a taxa de incidência da doença em Minas caiu 14% nos últimos sete dias e as solicitações de internações tiveram queda de 34,6% em quatro semanas”, informou a SES-MG.

Prevenção não pode ser ignorada

As ações preventivas e as restrições à circulação de pessoas, que envolveram a suspensão das atividades presenciais no comércio e serviços públicos foram determinantes para a redução dos casos da  COVID-19 nos pequenos municípios de regiões de baixa renda. A opinião é do professor Gustavo Henrique Cepolini Ferreira, do Departamento de Geociências da Universidade  Estadual de Montes  Claros (Unimontes).

“As medidas preventivas foram essenciais nos pequenos municípios, tendo o em vista a infraestrutura da rede de saúde pública, conforme apontamos nos primeiros levantamentos realizados”, afirma Cepolini. Ele coordenou o estudo “A espacialização da COVID-19 na mesorregião do Norte de Minas Gerais: breve análise epidemiológica e geográfica”, no âmbito do  projeto Geografia em Saúde, do Departamento de Geociências da Unimontes.

“Cuidados devem seguir em função da segunda e até mesmo da terceira dose da vacina contra a COVID-19”

Gustavo Henrique Cepolini Ferreira, professor e pesquisador da Unimontes

“Em função das medidas preventivas, os números de vidas ceifadas e de casos de coronavírus  não foram ainda maiores no estado de Minas Gerais, e também no Brasil”, acredita o professor da Unimontes. “Tais cuidados devem seguir em função da segunda e até mesmo da terceira dose da vacina contra a COVID-19, já aplicada para determinados grupos e faixas etárias”, recomenda  Gustavo Cepoline.

Conscientização

O aperto da fiscalização do cumprimento das restrições por parte de comerciantes e dos moradores e palestras junto aos moradores para mostrar os verdadeiros riscos da COVID-19, combatendo o negacionismo, estão entre as medidas adotadas nos municípios do Norte de Minas que conseguiram atingir o índice zero de casos de coronavírus.

A coordenadora do departamento de Saúde da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), Dayane Ferreira, afirma que a redução de casos e mortes pela COVID-19 nos  pequenos municípios da região resulta de estratégias de informação e conscientização da população sobre as medidas de higienização e distanciamento social e dos decretos municipais com as medidas restritivas, além do avanço da vacinação em massa.

O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estêvão Urbano, afirma que o avanço da vacinação em massa da população e o fato de os lugares terem populações menores foram determinantes para redução da transmissão da doença nas 37 cidades que, de acordo com a SES-MG permaneceram 60 dias sem registrar novos casos da COVID-19. Porém, chama atenção para a importância da manutenção das medidas restritivas e do cumprimento dos protocolos preventivos.

“É muito bom que tenha acontecido isso (sem registro de novos casos em dois meses). É  um ótimo sinal, mas não é sinal para flexibilização de quaisquer restrições, principalmente, daquelas mais importantes, como o distanciamento, uso de máscaras e higienização das  mãos”, pondera. “Não podemos relaxar. As pessoas ainda podem se contaminar quando saem e voltam  para a cidade, quando vão sair da cidade para trabalhar ou mesmo para alguma viagem de turismo. Esse vírus pode se reintroduzir na cidade novamente”, observa o infectologista.

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Alvaro Vilaça

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Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Redação Redação

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Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

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