Policial Super Destaques

Comissão vai investigar supostos erros no registro de ocorrências em Minas após denúncias de irregularidades

Denúncias de supostos erros na elaboração de boletins de ocorrências em Minas Gerias levaram a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) a criar uma comissão de trabalho para apurar se há ou não irregularidades. Um memorando assinado por policiais civis que atendem cidades do Norte de Minas detalha o problema. Fontes ouvidas pela Itatiaia apontam erros em outras regiões, situação que impactaria em uma redução factícia da criminalidade no estado.

Policiais militares, civis, membros da Controladoria Geral e da Ouvidoria Geral fazem parte do grupo. A reportagem da Itatiaia analisou planilhas do Observatório de Segurança Pública e constatou quedas significativas nas ocorrências de crimes violentos, como estupro, homicídio e roubo, de 2012 para cá, apesar de a percepção de parte da sociedade apontar o contrário.

No geral, conforme dados do Observatório de Segurança Pública, da Sejusp, os crimes violentos apresentaram aumento até 2018. Entre 2012 e 2020, o pico de registros ocorreu em 2016, com 156.750 mil ocorrências. Já ano passado, o número caiu para 46.517, redução de 70%. O dado de 2020 é bem inferior, inclusive, ao registrado em 2012 : 82.523. No entanto, especialistas em segurança pública ouvidos pela Itatiaia ponderam que os números do ano passado podem ter sido impactados pela pandemia. Por isso, a reportagem compara com o ano de 2019.

O crime de estupro consumado, por exemplo, caiu de 2.095 registros em 2012 para 1.230 em 2019, redução de 41,3%. As ocorrências de homicídio consumado também tiveram queda significativa: foram 3.889 em 2012, ante 2.644 em 2019,  32% menor. A mesma tendência é percebida nas ocorrências de roubo. Foram 60.281 em 2012 e 54.054 em 2019, menos 10,3%.

Gabriel Resende/ Itatiaia

Outros crimes também tiveram queda forte no comparativo 2012/2019:  tentativa de estupro (61%); tentativa de homicídio (47,2%); roubo tentado (27%); sequestro e cárcere privado (28,7%); furto (28,5%); e lesão corporal (32%).

Os números públicos são extraídos do Armazém de Dados do Sistema Integrado de Defesa Social. O Armazém compila todos os Reds registrados em Minas Gerais, para todas as naturezas previstas. Abrange notificações registradas pela PM, PC, Bombeiros, Sistema Prisional e Socioeducativo.Os números públicos são extraídos do Armazém de Dados do Sistema Integrado de Defesa Social. O Armazém compila todos os Reds registrados em Minas Gerais, para todas as naturezas previstas. Abrange notificações registradas pela PM, PC, Bombeiros, Sistema Prisional e Socioeducativo.Os números públicos são extraídos do Armazém de Dados do Sistema Integrado de Defesa Social. O Armazém compila todos os Reds registrados em Minas Gerais, para todas as naturezas previstas. Abrange notificações registradas pela PM, PC, Bombeiros, Sistema Prisional e Socioeducativo.

 

Manipulação

A suposta manipulação teria como objetivo “melhorar” os indicadores de segurança. Para isso, alguns policiais, a mando de superiores, estariam redigindo as ocorrências como se os crimes fossem menos agressivos. A estratégia “transforma” homicídio em encontro de cadáver e tentativa de assassinato em lesão corporal. A lesão corporal é classificada como agressão, que, por sua vez, vira atrito verbal. Já o roubo é lavrado como um simples furto.

Diante das denúncias estarem ocorrendo em um volume maior e de forma mais aprofundadas, a Itatiaia apurou que estado quer dar uma resposta rápida à sociedade. Um dos mecanismos para isso é a criação da comissão externa para fazer a auditoria da investigação.

Secretário explica

Questionado pela Itatiaia, o secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas, Rogério Greco, negou qualquer tentativa da pasta em maquiar números da criminalidade e explicou que interpretações diferentes podem ocorrer.

“O policial pode registrar uma ocorrência com um determinado fato que de acordo com ele era aquilo. Imagina-se que se na cabeça dele fosse uma tentativa de homicídio. O delegado de polícia olha aquilo e diz: não é uma tentativa de homicídio, isso é uma lesão corporal. O delegado remete o inquérito policial ao Ministério Público, que fala: realmente foi uma tentativa de homicídio”, disse o secretário, destacando que essas situações fazem parte do processo. “Não quer dizer que estamos agindo de má-fé ou mudando os fatos. Cada um tem a sua interpretação”.

Opinião nas ruas 

Nas ruas de Belo Horizonte, o aposentado José Donato, que mora no bairro Castelo, região da Pampulha, até acredita que houve uma queda nos níveis de criminalidade, mas diz que ainda não se sente seguro ao sair de casa. “Teve uma caída, mas não é satisfatória. A gente não tem a tranquilidade de circular por aqui. Não vou à padaria depois das 8 horas da noite”.

O produtor cultural César Pereira de Andrade, morador do bairro Serrano, também na região da Pampulha, afirma que ainda sai na rua com medo, mas acredita que as bases móveis da PM ajudaram a reduzir a sensação de criminalidade na capital. “Você já não tem mais aquele transtorno de ter que se deslocar até uma delegacia. Então, acho que isso inibe bastante”, diz.

Outro morador do bairro Serrano, o aposentado Carlos Alberto da Costa Lopes, diz que a presença de policiais nas praças inibiu os criminosos, mas acredita que os roubos estão diminuindo porque a população está sem dinheiro. “Por causa da pandemia, não tem circulação de dinheiro e também tem o uso de cartão. Então, o assaltante vai roubar um cara na rua e ele não tem dinheiro, tem cartão. E outra: o pessoal está em casa, não está saindo”, disse.

 

Fonte: Itatiaia

Redação Redação

Redação Redação

COMENTAR

Clique aqui para enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Eldorado1300

AGENDA

maio 2021
D S T Q Q S S
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Publicidade

ARQUIVO GERAL

Alvaro Vilaça

Alvaro Vilaça

Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Redação Redação

Redação Redação

SILVA JUNIOR

Avatar

Cebolinha

Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

Rádio Eldorado