Saúde

É uma realidade apocalíptica que vivemos, diz médica que viralizou em vídeo…

Aflita com a situação nos hospitais onde trabalha, a médica e infectologista Naihma Salum Fontana publicou uma série de vídeos no Instagram anteontem para relatar o colapso em Sorocaba (SP). O vídeo acabou viralizando nas redes sociais, e ela explicou ao UOL as razões que a levaram a gravar o depoimento.

No vídeo, Naihma contou que muitos pacientes não estão encontrando leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para tratar da doença. “Eu estou até arrepiada de fazer esse vídeo, porque eu estou muito preocupada com o que vi e o que tenho visto. Os dois hospitais, neste momento, não têm vagas nas UTIs. Não param de chegar pacientes precisando de vagas, chegando com fadiga respiratória. É uma situação de trincheira, de guerra. Nunca imaginei passar por isso. Especialmente nos hospitais onde trabalho existe uma estrutura muito boa, ou seja, funcionários em número suficiente ou número a mais, e isso não está sendo suficiente”, disse.

A médica explica que o momento atual é caótico e que as pessoas não mostram ter consciência do quadro atual atravessado pelo Brasil, que contabiliza diariamente recorde da média de mortes por covid-19.

Dentro do hospital vivemos, hoje, uma realidade caótica e apocalíptica de escassez de recursos estruturais e humanos, pois a demanda por leitos de UTI está em níveis apavorantes, nunca jamais vistos. E, quando eu volto pra casa, vejo pessoas correndo na pista de caminhada sem máscara, no bar tomando cerveja como se tudo estivesse bem.

Ao ver essas cenas, Naihma diz se sentir cansada e, por isso, resolveu gravar o vídeo para mostrar um lado que parte da população pode não estar atenta. “Quando eu vejo isso, me sinto muito sozinha… como tantos outros profissionais de saúde se sentem neste momento. Levando a pandemia nas costas, cansados, descartados e invisíveis. E então, eu desabafei. Entregue, cansada, impotente. Mas nunca imaginei que teria tamanha repercussão, até porque meus seguidores são meus pacientes, colegas e amigos, meu perfil não tem tantos seguidores”, afirma.

Os cinco vídeos postados possuem menos de dois minutos cada e mostra um forte relato do drama vivido por pessoas que precisam de atendimento com o coronavírus. “Estou extremamente preocupada. Quando saí do hospital, estavam chegando dois adolescentes com tomografia de tórax com mais de 50% de acometimento, entrando em insuficiência respiratória”, relatou Naihma no vídeo que viralizou. “O que mais me traz tristeza é uma pessoa morrer sem atendimento médico. Isso para mim é o fim, porque a gente nem deu chance de tentar salvar a vida daquela pessoa, nem analgésico pôde dar para poder confortar a falta de ar que esse paciente vai sentir.

Então, apelo para todos vocês, eu não estou exagerando. Isso está acontecendo tanto na rede pública quanto na rede particular. Então, fica em casa se você pode”, desabafou. Para ela, a melhora vista em que foi vacinado acaba sendo uma esperança que a situação pode melhorar. “O único alento é que não temos mais visto profissionais de saúde e nem idosos que já foram vacinados [internados]. Reduziu advento desses pacientes indo para o hospital. O que nos mostra, de forma muito subjetiva, a importância da vacinação”, destacou.

Ao UOL, ela fez outro desabafo ainda mais enfático. “Espero que a população empatize e compreenda. A viralização do meu vídeo mostra que quase ninguém está sabendo da realidade, nua e crua. Ainda vemos discussões sobre ivermectina, cloroquina. Ainda vemos questionamentos se o ‘lockdown’ é necessário ou não. Estamos muito na frente dessas discussões. Na verdade, o colapso do sistema de saúde é um caminho sem volta. Só podemos agir para que isso abrange nos próximos dias”, conta.

Em tom de desabafo, a médica explica que vem sendo procurada por populares em busca de socorro, mas que está de mãos atadas. “Agora não há nada que um indivíduo sozinho possa fazer. O único tratamento eficaz contra a covid-19 é um suporte hospitalar e intensivo adequado e, para isso, precisa-se de estrutura adequada (leito, equipe, respirador, protocolos, medicações) que só um hospital de nível terciário pode fornecer. Não é algo que se consegue de um dia para o outro”, diz.

O que poderia ter nos feito ficou para trás. Estamos correndo contra o tempo. Daqui para a frente, só nos resta tentar salvar o máximo de pessoas, agilizar as altas dentro do tecnicamente possível para poder tratar os novos pacientes que não param de chegar e rezar para que aqueles que irão falecer esperando leito de UTI possam ter algum tipo de conforto no momento da sua morte.

Fonte: noticias.uol.com.br

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Alvaro Vilaça

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Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

Redação Redação

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Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

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