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APAGARAM TUDO: Prefeitura emite nota sobre painel artístico apagado

“Apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza. A palavra no muro ficou coberta de tinta”, cantou Marisa Monte no ano 2000 e hoje, Sete Lagoas repete os trechos dessa letra após uma polêmica que chocou a classe artística e todos os interessados. Um painel pintado no muro que pertence à Escola Estadual Arthur Bernardes, em agosto de 2018, pela artista Priscila Amoni, foi totalmente coberto de tinta branca nesta semana. O painel era uma reflexão sobre a humanidade e o meio ambiente. A mulher com traços indígenas trazia nas mãos um coração de banana, e foi pintada numa época em que a Amaônia sofria com um incêndio de grandes proporções, acendendo através da arte um alerta sobre nossa relação com a natureza.

O mural foi uma das atrações do Festival Nacional de Arte de Rua de Sete Lagoas, realizado em 2019.

Na manhã desta quinta-feira (04), o Vereador Júnior Sousa enviou para o secretário de cultura do município uma nota de repúdio contra o apagamento da obra. Vários internautas lamentaram o ocorrido na internet, mencionando o vereador. “Repudio qualquer ato unilateral. Principalmente na semana dedicada a MULHER”, disse Sousa.

NOTA DE REPUDIO

Como legítimo representante do povo, na busca de uma relação harmoniosa entre educação, cultura, desporto e arte, venho a público manifestar, com grande consternação, meu repudio e discordância com atitudes tomadas de maneira precipitada, imprudente e unilateral, em plena semana da mulher, que ensejaram o encobrimento da arte que fazia parte do mural ao lado da Casa da Cultura, cuja imagem antes de ser camuflada pela tinta que hoje está no local está demonstrada abaixo:

Em um grupo das redes sociais o artista Paulinho do Boi compartilhou o texto de Maria Paula demonstrando sua tristeza pelo ato insensível de quem apagou a pintura de Priscila, além de pedir uma explicação que, justifique o injustificável. Confira:

“Me lembro de me chocar com o Doria “Cidade Cinza” em 2017, lá em São Paulo. O então prefeito “declarou guerra” aos grafiteiros e cobriu de tinta cinza diversos murais da avenida 23 de maio. Nunca pensei que tão logo Sete Lagoas também começaria a ficar cinza, e eu não precisaria viajar tão longe para ver um estrago como esse de perto.

Às vésperas do 08 de março, um mural de uma mulher indígena com seios à mostra no centro da cidade virou tinta branca. Num piscar de olhos. Sem aviso-prévio, sem que a gente soubesse, sem que a gente pudesse soltar um pequeno suspiro de súplica. Não teve uma vez que eu não passasse por ali que eu não observasse a beleza estampada naquele muro. Um pouco de vida em meio a uma cidade engolida pelo progresso.

Não que eu esperasse muita coisa de um sistema que acha louvável doar terrenos para empresas, mas um absurdo sem fim garantir moradia digna a todos. Eu tendo a acreditar mais uma vez, e mais uma, e outra… como resistem aqueles que insistem em produzir cultura nessa cidade. Como resistem aqueles que ainda creem que aqui pode ser um lugar bom de se viver.

Recebi essa imagem com uma tristeza profunda. Uma tristeza de quem já viu tantos absurdos acontecerem e serem aprovados, e que cada novidade terrível parece a última gota d’água. Como se o copo da desesperança fosse entornar a qualquer instante. A gente respira fundo, sente um aperto no peito, lamenta com os nossos. E acorda pra um novo dia, aguardando que ao menos uma vez Sete Lagoas tenha algum resquício de humanidade.

Que aqui não seja só asfalto, concreto, fábrica, indústria. Aqui tem gente. Gente precisa de praça, de cultura, de cor. “A gente quer comida, diversão e arte”, não é assim que dizem?

Por que apagaram o mural? Qual a explicação para destruírem uma obra de arte no centro da cidade? Uma obra que ficava, pasmem, ao lado da “Casa da Cultura”. Esse mural foi feito pela artista Priscila Amoni, durante o Festival Nacional Arte de Rua, em 2019. Hoje, restam apenas as lembranças e as fotos, como tantas coisas boas que um dia existiram aqui, nesse lugar que já tenho dificuldades de chamar de lar.

Uma cidade que não respeita a arte e os artistas perdeu o apreço pela própria vida”.

Maria Paula – 04/03/2021

A Prefeitura de Sete Lagoas – por meio da Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Cultura – esclareceu que o muro da Escola Estadual Arthur Bernardes, onde antes havia a arte grafite realizada em 2018 e apagada esta semana, na orla da Lagoa Paulino, é de inteira responsabilidade do Governo do Estado. Somente agora técnicos do Estado identificaram que não houve autorização formal do Governo de Minas, proprietário e responsável pelo imóvel, para a realização da obra.

O Município reforça ainda seu apreço por todas as formas de artes plásticas, entre elas o grafite. Tanto que, em março do ano passado, lançou o projeto Arte Grafite, que visava a pintura na parede e no pilar externo do Centro de Apoio ao Turista (CAT). O projeto foi suspenso em função da pandemia.

Em dezembro, porém, a Prefeitura lançou o edital 11/2020, inserido na Lei Aldir Blanc 14.017/2020 (de apoio emergencial aos artistas locais), específico para os artistas do grafite. O espaço disponibilizado foi a parede e o pilar externo do CAT. A obra foi composta pelos artistas Lorenzo de Paula e Vitor Gott.

Da Redação

Barbara Dias

Barbara Dias

Jornalista com especialização em publicidade e marketing, coordenadora do Portal Sete, editora chefe do Jornal Hoje Cidade e assina o programa Tarde Viva na Rádio Eldorado AM 1300

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Alvaro Vilaça

Alvaro Vilaça

Jornalista, radialista, âncora do programa Tempo Esportivo na TV Sete Lagoas e diretor de programação da Rádio Eldorado AM1300

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Arnaldo Martins

Arnaldo Martins

Colunista do Hoje Cidade a mais de 20 anos, formado em Assistente de Administração de Empresas, funcionário público.

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