PARA SER MAIS ESPORTE E MENOS SHOW, NADO LIMITA MAQUIAGEM E ADEREÇOS

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Luvas que brasileiras usaram no Pan de 2015 foi vetada no Mundial de Kazan no mês seguinte (Foto: Getty Images)

A Rio 2016 será a nona Olimpíada da história com a disputa do nado sincronizado, e desde que a modalidade entrou no programa de forma oficial, em Los Angeles 1984, houve mudanças importantes nas apresentações. Além da evolução na parte técnica e física dos atletas, nos últimos anos a Fina (Federação Internacional de Natação) teve a preocupação de deixar o nado com uma imagem mais esportiva e menos de um espetáculo artístico. Por causa disso, adotou medidas como a limitação do uso de adereços no maiô e o veto de maquiagens exageradas no rosto, por exemplo.

Luisa e Duda tentam passar o máximo de tempo possível sem respirar em desafio (Foto: André Durão)
Luisa e Duda tentam passar o máximo de tempo possível sem respirar em desafio (Foto: André Durão)

O procedimento também é uma forma de precaução para evitar qualquer risco de o nado ser excluído dos Jogos Olímpicos no futuro. Ainda pensando neste ponto, a Fina aprovou a participação de homens na modalidade, que até então era praticada exclusivamente por mulheres. Com isso, o dueto misto já foi disputado no Mundial de 2015, em Kazan, na Rússia, ainda não vai fazer parte da Olimpíada do Rio, mas deve entrar em Tóquio 2020.

– A cada ano que passa eles vão tirando um pouquinho, porque eles não querem que o nado sincronizado seja caracterizado como um balé ou como um show, eles querem que seja caracterizado como um esporte. Então, eles vêm tirando um pouquinho para não sair do padrão dos outros esportes. E a tendência é que na próxima Olimpíada tenha o dueto misto, com homem e mulher, para mostrar que é um esporte que qualquer um pode fazer – afirmou Branca Feres, que vai competir com a seleção brasileira na prova por equipes no Rio de Janeiro.

Apesar de ter entrado oficialmente no programa olímpico em 1984 (na época apenas com dueto e solo femininos), o nado sincronizado esteve como esporte de exibição nas Olimpíadas de 1952 até 1968. Desde que teve origem no início do século XX, a modalidade passou por transformações. Atualmente, não é mais permitido o uso de acessórios mais chamativos, como luvas, enfeites grandes no cabelo ou babados no maiô, por exemplo. Na maquiagem, nada de pinturas ou desenhos exagerados que cubram o rosto. Os maiôs, claro, podem continuar sendo coloridos e temáticos, mas a ideia é deixar o foco na plasticidade, flexibilidade e sincronismo dos movimentos das atletas. Antes da entrada na piscina, uma banca de árbitros checa o maiô e acessórios das nadadoras e aprova ou não o modelo para a competição.

– Um exemplo foi que ano passado nós competimos no Pan-Americano de Toronto com uma luva tipo de motoqueiro, era uma luva bem legal que imitava uma tatuagem. Mas quando chegamos no Mundial em Kazan eles proibiram a gente de nadar com essa luva. Então a gente teve que tirar, porque era considerado um adereço a mais do maiô – lembrou Duda Miccuci, que forma o dueto brasileiro ao lado de Luisa Borges e também participa da disputa por equipes.

Atleta mais experiente da atual seleção brasileira de nado, Lara Teixeira, de 28 anos, vai disputar a sua terceira Olimpíada na carreira, depois de ter formado o dueto com Nayara Figueira em Pequim 2008 e Londres 2012. Há quatro anos, durante o 7º World Trophy da Fina, na cidade de Tultitlan, no México, as duas ousaram e entraram na água fantasiadas de Chaves e Chapolin, os tradicionais personagens mexicanos de humor, com direito a toca vermelha com antenas, suspensório e gorro. Naquela competição, a ênfase era a parte artística, os exageros na caracterização estavam liberados, e a ideia fez sucesso. Mas na Olimpíada as brasileiras certamente seriam barradas.

Lara e Nayara fizeram coreografia vestidas de Chapolin e Chaves no México em 2012 (Foto: Divulgação MVP Sports)
Lara e Nayara fizeram coreografia vestidas de Chapolin e Chaves no México em 2012 (Foto: Divulgação MVP Sports)

– Antigamente a gente fazia muita maquiagem em função ao tema, e a gente podia colocar maquiagem muito carregada, hoje em dia já tem um rigor muito maior. Atualmente há um rigor maior com tatuagem e também piercing e brinco, que não podem ser usados na piscina. Essas gerações de agora estão se tatuando muito, e não pode no nado, tem que tampar com base para não aparecer. Além disso, a velocidade dos movimentos também mudou, é a evolução natural, principalmente pro nosso esporte que é de coreografia. Vejo a mudança da velocidade de Pequim pra agora, é um nado sincronizado muito mais veloz – disse Lara.

E se visualmente as mudanças são evidentes, técnica e fisicamente o nado sincronizado também evoluiu. Para chegarem nos Jogos Olímpicos de 2016 em condições de brigarem por uma vaga na final, as atletas do Brasil passam por um treinamento intenso seis dias por semana, trabalho que inclui diversos exercícios na academia para melhorar a força física e a resistência muscular. A técnica da seleção brasileira, Maura Xavier, que foi atleta da modalidade nos anos 90, explica que entre as mudanças estão a inclusão de muitos saltos acrobáticos na piscina.

– O nado mudou muito nos últimos anos, essas alçadas (saltos) que vocês estão vendo hoje em dia antes não existiam, por exemplo. Diziam que o nado era um balé na água, hoje não é, é uma ginástica acrobática aquática. Mudou força, potência, velocidade de execução. Às vezes me perguntam se eu caio na água com elas, só se eu quiser passar vergonha, porque eu sou daquele nado lento, não faço isso de agora. O nado agora exige muita força, o trabalho físico delas é gigante – explicou a treinadora.

Na Rio 2016, as provas de nado serão disputadas entre os dias 14 e 19 de agosto, no Parque Aquático Maria Lenk. Em um esporte que tem a Rússia como grande favorita, o Brasil vai em busca de avançar às finais e compete no dueto, com Duda Miccuci e Luisa Borges, e as duas também participam da rotinas livre e técnica por equipes, junto com Lara Teixeira, Pamela Nogueira, Bia Feres, Branca Feres, Maria Bruno e Lorena Molinos, mais a reserva Maria Clara Lobo.

Com Globo esporte

 

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