Polícia investiga possível participação de agentes públicos em fraude do luxo

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Apartamento de luxo de advogado foragido

A Polícia Civil vai investigar se agentes públicos de Minas Gerais tiveram envolvimento em esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que movimentou R$ 160 milhões nos últimos dois anos, com aberturas e fechamentos sucessivos de empresas fantasmas e movimentação de processos fraudulentos em Belo Horizonte e outras cidades.

Para facilitar as operações burocráticas e a aquisição de empréstimos, a quadrilha utilizava documentos falsos em nome de empresários reconhecidos, que não sabiam do esquema. Pelo 100 pessoas físicas e jurídicas foram vítimas do grupo.

O esquema foi desarticulado por meio da operação Apate, realizada ontem pela Polícia Civil com o cumprimento de três mandados de prisão e seis de busca e apreensão na capital mineira e nos municípios de Contagem e Pará de Minas, na Grande BH. Os três suspeitos de comandarem a fraude, incluindo um advogado de Belo Horizonte que morava em apartamento de luxo no bairro Buritis, avaliado em R$ 2,5 milhões, estão foragidos e negociam se entregar.

De acordo com a corporação, as investigações começaram há um ano, quando o herdeiro de uma grande construtora da capital verificou que havia um pedido de emissão de Carteira Nacional de Habilitação em seu nome, com o envio programado para um endereço desconhecido. “Quando ele deu queixa, começamos a investigação e descobrimos o esquema, mas a rápida e discreta atuação da quadrilha dificultava o trabalho dos órgão fiscalizadores”, afirma o delegado Vinicius Dias, da Delegacia de Fraudes.

Segundo o delegado, a estrutura do grupo era complexa e contava com auxiliares administrativos, advogados e laranjas que se passavam por sócios das empresas fictícias. Para a PCMG, até mesmo agentes públicos poderiam estar envolvidos no processo. “Estimamos que haja entre 10 e 12 pessoas ligadas diretamente e a participação de agentes públicos também está sendo investigada”, afirmou Dias.

A suspeita foi levantada pela velocidade com que a quadrilha conseguia realizar procedimentos burocráticos, acessar processos e emitir documentos falsos, como identidades, CPFs e CNHs.
“Eles tinham conhecimento dos trâmites comerciais, facilidade para solicitar procurações nos cartórios e acesso a procedimentos em fóruns e no Tribunal de Justiça”, conta o delegado.

O Tribunal de Justiça foi procurado para comentar a fraude, mas não quis se manifestar.
Entre outros crimes, os envolvidos responderão por organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsificação de documento público e particular, estelionato e falsidade ideológica. A pena mínima é de 25 anos de reclusão, podendo chegar a 60 anos.

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