REDE PREVENTIVA DA POLÍCIA MILITAR É UMA DAS AÇÕES RESPONSÁVEIS POR BAIXA NA ESTATÍSTICA DE CRIMES VIOLENTOS EM SETE LAGOAS

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Da esquerda para a direita, Soldado Michele e Sargento Ana Paula, atualmente à frente da coordenação do Projeto “Redes Preventivas” em Sete Lagoas. Foto Barbara Dias

Numa semana em que veículos de imprensa veicularam números garantindo a permanência de Sete Lagoas no Ranking das 15 cidades mais violentas de Minas Gerais, entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, a Polícia Militar rebate a informação e aponta números contrários aos divulgados, e propaga força tarefa entre profissionais da segurança e comunidade, visando coibir a criminalidade local.

Os números da Secretaria de Estado de Defesa Social apontam uma queda brusca no índice de crimes violentos em Sete Lagoas, o que em parte, pode ser consequência ao trabalho em conjunto entre a Polícia Militar e a sociedade, que através do Projeto Rede de Vizinhos e Comerciantes protegidos, tem resultado numa mudança de comportamento  por parte da sociedade, devido a treinamentos e reuniões realizadas sistematicamente entre a corporação e comunidade, permitindo assim a redução dos crimes na cidade.

Taxa crimes violentos comparação 2016-2017

Números dos crimes violentos em Sente Lagoas, segundo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social – SEDS

Em entrevista ao Jornal Hoje Cidade, as responsáveis pelo projeto em Sete Lagoas, Sargento Ana Paula e Soldado Michele, contou como funciona a rede e seus benefícios.

Sgt. Ana Paula conta que a Rede de Vizinhos e a Rede de Comerciantes Protegidos funciona através da iniciativa da população. “Uma rua ou um quarteirão, ou um bairro, sente que é responsabilidade deles também a segurança pública e com isso eles buscam o apoio da Polícia para adequarem o comportamento em relação à segurança. Quando existe essa busca, a Polícia realiza uma reunião de incentivo à instalação da Rede, e nessa reunião é explicada toda a importância do envolvimento da sociedade para com a segurança pública, assim conseguimos criar métodos de proteção coletiva e de alto proteção e a gente muda as visão do cidadão em relação à segurança e ao crime, e com essa mudança de comportamento agente consegue romper o triangulo do crime, que só ocorre se houver um ambiente favorável ou ausência de vigilância, um infrator motivado e uma vítima em potencial. Como a gente trabalha direto com o cidadão, ele deixa de ser vítima em potencial e assim o crime não acontece” afirma a Sargento, apontando ser esse um trabalho preventivo feito diretamente com a população, além de propiciar um vínculo maior entre vizinhos, gerando mais proximidade e resultados, por meio da criação de métodos onde eles se protegem até mesmo antes de acionar o poder público. Com essa proteção, por ser muito rápida, gera resultados que realmente impactam na redução do crime.

A Soldado Michele contou à redação do HC passo a passo como o morador pode acionar a Polícia Militar e solicitar a Rede em sua região.

1º Passo – Contatar os moradores da rua, bairro ou região, verificando se existe o interesse por parte de um número expressivo, já que se trata de rede.

2º Passo – A partir desse momento pode ser feito um ofício que será encaminhado ao 25º Batalhão da Polícia Militar, constando o nome da rua e os nomes dos moradores interessados. Para solicitar esse ofício, são necessárias pelo menos, um número mínimo de cinco famílias. É importante que seja voluntário, porém, mais importante ainda, que essa adesão seja maciça.

3º Passo – A Polícia Militar fará uma análise, de forma rápida a corporação entra em contato e sendo viável é realizada a implantação.

Sd. Michele ressalta que a rede de Proteção Preventiva, ela emprega a filosofia de polícia comunitária, de uma forma bem simples, é a polícia próxima à comunidade. “A Polícia vai até a casa o Cidadão para saber quais os problemas aos quais estão passando e juntos, a polícia e a comunidade, irão procurar soluções para resolver esse problema. É uma parceria, polícia e comunidade” Afirma Michele que destaca ainda vários resultados conquistados através dessa aproximação, como: “redução da criminalidade, através da sessão de estatísticas, onde temos acompanhamento frequente de números das ruas, que são ativas, frequentes, que empregam as dicas que são repassadas, sentem a redução de roubos e arrombamentos a residências. Outro benefício importante que temos com as redes é o fortalecimento da sensação de segurança. O que significa isso? Muitos locais, as vezes nem possuem incidência de crimes, mas a população está tão amedrontada e alarmada, e quando a polícia se faz presente e explica o que está acontecendo, ela se sente mais segura.” conclui soldado.

No decorrer da implantação da rede, acontece um treinamento em cinco reuniões, onde é passada uma lista de frequência, pois em cada reunião é tratada uma dica de segurança diferente. Nessas dicas de segurança que são possíveis a mudança de comportamento para que o cidadão não seja vítima em potencial. Pós as cinco reuniões iniciais, é realizada uma reunião com um a simulação de crime, onde todas as dicas ensinadas nos primeiros encontros, são realizadas com fechamento de rua, encenações teatrais e aplicação das dicas pela comunidade. Ao fim dessa simulação, a rede é implantada e em conjunto é realizada uma manutenção mensal dessa rede.

Sgto. Ana Paula conta que existem redes em Sete Lagoas, sólidas e com mais de 10 anos de existência.

As redes que possuem parceria com a Polícia Militar são identificadas através da pintura dos postes, com as cores da polícia, escrito “Rede de Proteção Preventiva”, o nome da rua, bem como uma placa afixada na residência.

rede de vizinhos protegidos

Cada rede possui adequações de acordo com a necessidade, por exemplo: Temos em Sete Lagoas a Rede de Vizinhos Protegidos, Redes de Proprietários Rurais Protegidos, Rede de Comerciantes Protegidos e a Rede de Postos de Gasolina Protegidos. Cada rede funciona de acordo com a realidade e a necessidade. Na Rede de Vizinhos, é tratada tanto a segurança individual e coletiva, como também residencial, de propriedade, entre outros aspectos. Na Rede de Comércio, é tratada a segurança nos comércios, com isso, as dicas são diferenciadas, de acordo a necessidade, atingindo o público e mudando seu comportamento.

Para implantação da Rede não existe custo nenhum para a comunidade. O único gasto que vizinhos e comerciantes terão para implantação das redes é com a aquisição de sua placa e seu apito.

rede de comercio monitorado

Vigente em todo Estado, o projeto Rede de Vizinhos Protegidos foi implantado em Sete Lagoas desde o ano 2007 e sob coordenação do Tenente Ivair, Soldados Cota, Michele, e Sargento Soares, o projeto teve seu início em ruas pilotos, a princípio como teste, expandindo gradativamente. Atualmente, Sargento Ana Pula e Soldado Michele coordenam de maneira empenhada e firme, porém com muita presteza e abnegação esse projeto.

As Redes de Proteção buscam a redução dos índices de criminalidade e principalmente, a sensação de segurança do cidadão de bem, solucionando problemas de forma integrada entre Polícia Militar e sociedade civil. O projeto existe em diversos lugares, inclusive outros países, no entanto em Minas Gerais, foi criado pela PMMG tendo o seu sucesso visível através da mobilização da comunidade.

É fato que a PM não pode estar presente em todos os lugares simultaneamente, desta forma, a organização de pessoas na Rede de Vizinhos Protegidos, é uma maneira de transformar pessoas em parceiras da polícia, como verdadeiras “câmeras vivas”, adotando estratégias de prevenção a partir das orientações compartilhadas pela corporação. Entendendo que 3 são os fatores oportunos para ações criminosas, vontade do infrator, ausência da polícia e vulnerabilidade da vítima, as redes proporcionam um ambiente que troca a oportunidade dada pela vítima por dificultar a ação do criminoso.

“A rede é um elo de confiança, formada por cidadãos de bem” Concluiu a Sargento Ana Paula.

Por Barbara Dias

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